Agricultura

Fim da vacinação contra aftosa no Paraná será discutida em Cianorte

Pecuaristas da região participam de um encontro sobre o tema na Acic
Rebanho bovino na região de Cianorte é de 232 mil animais (Foto: PERFAM )

Depois de vinte anos de esforços, o Paraná está prestes a ser declarado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) uma área livre de vacinação contra a febre aftosa. A conquista possibilitará que o estado amplie o comércio mundial de carnes, acessando mercados que têm restrições ao rebanho vacinado e, consequentemente, conseguindo preços melhores para seus produtos exportados. Nesta quinta-feira, 12, a partir das 9 horas, os pecuaristas da região de Cianorte se reunem na Associação Comercial e Empresarial de Cianorte (Acic) para uma discussão sobre o tema.

A região de Cianorte conta com uma área de mais de 100 mil hectares de pastagem. São mais de 232 mil cabeças de gado, além de 15 bubalinos. No ano passado, a movimentação financeira contabilizou R$ 171 mi com a cultura em toda a sua cadeia. Em média, 99 mil cabeças são abatidas por ano.

Os dados foram repassados pelo Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) e são referentes à sua área de jurisdição, que abrange os 11 municípios que compõem a Associação dos Municípios do Médio Noroeste do Paraná (Amenorte): Cianorte, Cidade Gaúcha, Guaporema, Indianópolis, Japurá, Jussara, Rondon, São Manoel do Paraná, São Tomé, Tapejara e Tuneiras do Oeste.

Segundo o chefe do Núcleo Regional Seab, Francisco Cascardo Neto, o Paraná se preparou para alcançar este status, com a contratação de profissionais, a criação e a melhoria das instalações onde funcionam as barreiras, a integração com as polícias rodoviárias e a adequação da legislação.

“O Estado tem 32 Postos de Fiscalização do Trânsito Agropecuário (PFTA) nas divisas com os estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo e um posto em fase de construção na rodovia BR-116, divisa com São Paulo”, afirma Cascardo Neto.

Ainda de acordo com Cascardo, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) vai intensificar a fiscalização de animais nas fronteiras com a contratação de novos agentes. Estão previstas 80 vagas, sendo 30 para médicos veterinários e 50 para técnicos em agropecuária. A autorização do concurso público, inclusive, já foi publicada no Diário Oficial do Paraná.

“Nosso governador incialmente anunciou a contratação de 50 novos profissionais, mas, ante a relevância da fiscalização, autorizou a contratação de mais 80 novos profissionais”, explica.

O anúncio do fechamento das fronteiras paranaenses para entrada de animais suscetíveis à febre aftosa, certamente impactará na cadeia produtiva pecuária. De acordo com uma estimativa da Adapar, no ano passado, entraram no estado cerca de 100 mil cabeças de gado e saíram aproximadamente 42 mil.

“Estas modificações estão ainda em processo de conclusão, por isso é muito importante que o pecuarista participe da discussão, fazendo críticas e sugestões, além de, obviamente, se atualizar sobre o assunto”, ressalta Cascardo.

O chefe da Seab ainda chama a atenção sobre a importância dos pecuaristas estarem organizados para enfrentar a nova situação, que deverá exigir uma adequação no sistema de criação.

“Os Conselhos Municipais de Sanidade Agropecuária e as Sociedades Rurais devem estar fortalecidos e atuantes para poder representar os anseios dos seus representados”, conclui.

ADAPAR VAI AUMENTAR FISCALIZAÇÃO

O médico veterinário Thiago Augusto de Souza Silva, da Adapar, informou que a Adapar deverá aumentar ainda mais sua fiscalização na porção norte do Estado, já que os estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo não irão suspender a vacinação contra aftosa. A agência, além de realizar concurso público para contratação de novos profissionais, modernizou o sistema informatizando a rastreabilidade de rebanho e trânsito de animais, visando maior controle do fluxo de animais no Estado.

“A extensa área de divisa estadual e as várias rotas rodoviárias observadas no Norte do Estado fazem com que a atenção dada ao trânsito de animais sejam ainda mais atuantes com o objetivo de inibir práticas irregulares que poderiam ter potencial para trazer riscos à agropecuária paranaense”, afirma Silva.