Saúde

“Filhos do crack” e ritalina marcam o cenário da saúde mental em Cianorte

 

Cianorte está recebendo os filhos do crack e ainda não há uma rede de atendimento especializada que possa acolher essas crianças. O gravíssimo fato de que há casos de crianças de dois anos em creches que já estão demonstrando sinais de transtornos mentais, pois foram apresentadas às drogas ainda no útero, foi relatado pela promotora da  Vara da Infância e Juventude de Cianorte, Elaine Lima. O evento, realizado na manhã dessa sexta (13), no Centro Social Urbano, teve como palestrista a Coordenadora Regional de Assuntos de Saúde Mental de Maringá, Marina Martins e  contou com a presença do Conselho Tutelar, diretoras de escolas, a promotora Elaine Lopo, a professora Ana Floripes, o líder comunitário César Kasuo, os vereadores Natal Reis, Paulo Renato, Márcia e Letícia Biggi, entre outros participantes.

Marina Martins veio à Cianorte para compartilhar sua experiência na implantação de projetos direcionados à saúde mental. Ela lembrou que não é da noite para o dia que se implanta um Centro de Atenção Psicossocial Infantil, o CAPS I, e que o processo é lento. A necessidade de executar um trabalho em rede, envolvendo inúmeros profissionais, ganhou ênfase.

A promotora Elaine Lima chamou a atenção para o fato de que já foi constatado que médicos alocados para atender os pequenos pacientes computaram a quantidade exorbitante de 90 crianças consultadas por dia. Para ela, a impressão que se tem com essa disparidade é que troca-se apenas o nome do paciente, prescrevendo sempre a mesma medicação, a Ritalina, sem um efetivo diagnóstico das necessidades individuais. “Há registros de crises de convulsão porque tomaram medicamento errado”, salientou a promotora.

A promotora cobrou a presença do secretário de saúde, Rogério Sossai, que apenas enviou representante. Elaine Lima ressaltou que a partir de maio, com a Portaria 3038, Cianorte passou a ser incluída entre as cidades que podem ter auxílio do Governo Federal para a implementação do CAPS I, antes limitado à cidades acima de 150 mil habitantes.

“O tema tem sido alvo de reivindicações minhas desde 2010, agora fortalecido por outros companheiros vereadores e demais órgãos representativos. O plano está amadurecendo; a união está fazendo a força”, postou em seu perfil o vereador Paulo Renato.