Saúde

Família de idosa denuncia descaso em atendimento de saúde

 

A Tribuna de Cianorte ouviu a denúncia de M.A sobre o atendimento prestado à sua mãe, uma idosa de 89 anos, acometida de câncer e trombose. Não bastassem os problemas com as graves doenças, a idosa e a família vivenciaram um drama nos últimos dias, desde quando foram encaminhadas até a Santa Casa, na quarta-feira (31) e não havia médico especializado para atendê-la até o momento em que a mulher teve alta na segunda-feira (5). Segundo M.A., mesmo com cinco ambulâncias paradas no pátio da prefeitura, foi necessário esperar um veículo que estava em Umuarama para fazer o transporte de sua mãe.  

Acometida de câncer na virilha e trombose no pé, a idosa precisou ser levada ao Pronto Atendimento (PA) por volta das 11h do dia 31. Devido à gravidade do quadro, o médico indicou que ela fosse encaminhada à Santa Casa e ali começou a via sacra.

“Só conseguiram um leito para ela por volta das 21h. Minha mãe está acabada, ficou lá com dores, naquele corredor. Não tinha só ela; contei nove idosos nas macas nos corredores. Pena que eu não tinha nada para fotografar”, relatou M.A.

De acordo com a filha, antes de iniciar o processo de internação, a família levou a mãe em um médico vascular, que diagnosticou a gravidade do quadro. Na Santa Casa a família foi informada que a idosa teria que aguardar a chegada de um médico vascular contratado. Desesperada, a família tentou transferir a mãe para Maringá, onde ela já faz o tratamento contra câncer, mas o hospital não liberava os documentos. Por outro lado, o médico de Maringá orientou que fizessem a internação em Cianorte para evitar o desgaste da viagem. “Falaram que não tinha vascular para avaliar a situação e ela ficou esperando até de noite e quando o médico passou ele explicou que estava contratado aquele dia para atender o caso de minha mãe”, conta M.A. Segundo a mesma, durante a longa espera sua mãe “não tomou uma gota de remédio para dor. Ela saiu do P.A e ficou sem atendimento”.

De noite, após a chegada do médico contratado, a idosa recebeu o atendimento necessário, passando também pela clínica geral e foi conduzida até o leito adequado. No outro dia, passava das 14h e a idosa não tinha sido atendida pelo médico especializado. “Lembrei que havia um médico que atende no P.A que é especializado em problemas vasculares. Quando ele chegou minha mãe foi muito bem atendida e ele explicou que a deixaria medicada para o fim de semana, pois só retornaria na segunda (5) e se tudo estive bem daria alta”, o que de fato aconteceu.

Porém, na hora de retornar para casa, a recomendação médica era de que a paciente  permanecesse deitada, exigindo o transporte em uma maca. A informação que os setores envolvidos repassaram à família foi de que estão proibidos os transportes de pacientes após as 18h e que seria necessário esperar a ambulância que estava em Umuarama. “Todas as pessoas com quem falei informaram que depois das 18h não estão mais buscando os pacientes em casa, somente em hora comercial. Então vai ficar doente só na hora comercial?” questiona M.A.

 

Hospital e Prefeitura rebatem acusações

A direção da Santa Casa informou que a citada paciente necessitou aguardar a avaliação de um médico vascular a fim de analisar se o quadro necessitava de intervenção cirúrgica. Nesse período foi providenciada a medicação e o atendimento devido. Ainda de acordo com a direção do hospital, todos os pacientes recebem o tratamento adequado, e quando necessitam de transporte de ambulância o serviço é prestado sem nenhum prejuízo ao paciente.

Em nota, a Prefeitura de Cianorte argumentou que, “por meio da Secretaria Municipal de Saúde, disponibiliza o serviço de ambulância aos hospitais de Cianorte, sendo priorizados os casos de urgência e emergência, mas abrangendo todos os atendimentos”. A informação de que o serviço é prestado somente até às 18h não procede, pois o município conta com um motorista de plantão durante todo o período noturno.

Vale ressaltar que nenhuma solicitação dos hospitais fica sem atendimento e que os mesmos possuem os contatos necessários para convocar o serviço de ambulância. É importante destacar, ainda, que o caso citado, que não era de urgência e emergência, foi assistido”.