Educação

Evento discute o aumento da medicalização em crianças

Cerca de 10 instituições se reuniram para iniciar um grupo de trabalho sobre o assunto
O fórum reuniu representantes de diversas entidades, que trocaram experiências e refletiram sobre o assunto (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Preocupados com o crescente aumento do número de crianças e adolescentes que utilizam medicamentos psicoafetivos, o pedagogo da Rainha da Paz, Gabriel Estevo Faria e o professor da UEM, Fernando Wolff Mendonça, que conduz o Projeto de Pesquisa Retrato da Medicalização da Educação no Paraná, convidaram entidades educacionais e assistenciais de Cianorte para discutir o assunto.

De acordo com Mendonça, o I Fórum Interinstitucional “Remédio não educa” foi o início de um trabalho, pois a intenção é formar um grupo de estudos mensal que organize ações estratégicas de avaliação e planejamento de atividades educativas e sanitárias para a compreensão do aumento da medicalização das crianças em faixa escolar. O objetivo é realizar um levantamento de dados nos municípios da região e depois promover ações junto a toda a sociedade, orientando as famílias e capacitando professores, junto aos serviços de saúde e cuidados com a infância.

O evento reuniu cerca de 60 pessoas de 10 entidades locais, entre educadores e representantes do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Cianorte, da Associação Rainha da Paz, da Câmara Municipal de Cianorte e outras. Mendonça explicou que a maior preocupação é com o “descontrole dos encaminhamentos e das prescrições médicas, que ocorrem muitas vezes sem o devido suporte educacional e terapêutico à família”. Segundo ele, “não se trata de questionar o uso de tais medicamentos, mas sim de pensar nas consequências dessa grande quantidade de drogas nas relações sociais das crianças”.

O pedagogo Gabriel Estevo disse que observa muitas crianças usando o remédio como justificativa por conseguir ou não realizar alguma atividade. “Muitos pais também usam o remédio como um recurso para sossegar a criança, sem questionar se ele é realmente necessário.”

Alguns educadores compartilharam experiências e propuseram reflexões sobre os processos educacionais e de formação de crianças e adolescentes medicados.

O fórum foi uma iniciativa da Associação Rainha da Paz, em parceria com o departamento de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), campus regional de Cianorte. Estiveram presentes o diretor do campus regional da UEM de Cianorte, Alessandro Santos da Rocha; a chefe do NRE local, Yolanda Cristina Rodrigues Oliveira e o vereador Victor Hugo Davanço.