Cotidiano

Estiagem já dura 36 dias e número de queimadas dobra na região

Última chuva significativa foi registrada em 12 de julho; baixa umidade e incêndios agravam problemas de saúde
No Jardim Atlântico, as queimadas em terrenos vazios são um problema recorrente (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Cianorte está há 36 dias sem um volume de chuvas considerável, de acordo com os dados do Simepar. O chuvisco do último dia 9 nem chegou à estação meteorológica local e a região vive um período crítico, com a baixa umidade do ar e o aumento dos incêndios, que prejudicam a saúde. Sem nenhum milímetro de chuva desde o início de julho, o mês promete ser um dos mais secos dos últimos anos e dificilmente chegará à média histórica de 97,4 mm.

Segundo o meteorologista do Instituto, Paulo Barbieri, não há previsão de chuva tão cedo para a região. “Uma massa de ar seco estacionada sobre o Paraná está inibindo a aproximação das frentes frias em todo o estado. No fim de semana, por exemplo, está previsto o deslocamento de uma frente fria, mas ela nem deve chegar ao Noroeste. No máximo pode provocar uma pequena queda de temperaturas, mas nada de chuva”, explicou.

INCÊNDIOS

A baixa umidade do ar, que está oscilando entre 20% e 30%, aliada ao tempo seco e a ventos mais intensos, tem provocado o aumento das queimadas, que praticamente dobraram em relação ao ano passado. De acordo com o Corpo de Bombeiros, desde o início de maio foram atendidas 61 ocorrências de incêndios ambientais, sendo 33 na zona rural, 18 na área urbana e 10 em lixos; no mesmo período de 2017, foram 32 ocorrências, sendo 13 na zona rural, nove na cidade e 10 em lixos.

O chefe de guarnição do Corpo de Bombeiros de Cianorte, cabo Marcos Araújo Leão, aponta que 95% dos incêndios ambientais são provocados pela ação humana. “Na cidade as queimadas são decorrentes das limpezas inadequadas de terrenos e lixo e na zona rural geralmente são situações que saem do controle do proprietário”, afirma.

Segundo ele, o ideal é evitar qualquer tipo de foco de incêndio e utilizar as técnicas adequadas para limpeza de terrenos e solos. “Nossas viaturas de combate a incêndio são preparadas para atendimento em área urbana, então a dificuldade de acesso na zona rural é grande, por isso orientamos os proprietários a preparar o local com aceros ou fazer a compostagem do solo, evitando colocar fogo.”

SAÚDE

Para quem já enfrenta problemas respiratórios, o tempo seco e as queimadas representam agravantes que podem levar a internações e complicações mais severas. O clínico geral e coordenador do Pronto Socorro do Hospital Santa Casa de Cianorte, Rodrigo Gama, explica que as doenças como asma, gripe, bronquite, rinite e pneumonia são responsáveis por 60% das internações nesta época do ano.

Doenças cardiovasculares e de pele também são intensificadas com o frio e a seca. De acordo com o médico, o risco de ataque cardíaco, por exemplo, aumenta 17 vezes e as mortes por infarto sobem 30% no inverno.

Como evitar prejuízos à saúde

O clínico geral orienta que pacientes cardíacos redobrem os cuidados, principalmente com alimentação. “No inverno as pessoas têm o costume de ingerir alimentos calóricos e abandonar os hábitos saudáveis, o que pode prejudica-las ainda mais. A prática de exercícios e o controle da hipertensão e do colesterol também devem ser intensificados”, destaca Gama.

Para prevenir as doenças respiratórias o ideal é ingerir bastante líquido (no mínimo dois litros de água por dia ), utilizar umidificadores de ambiente e inaladores, lavar o nariz com soro fisiológico, lavar as mãos regularmente e não compartilhar utensílios de uso pessoal. “O tempo causa ressecamento das vias aéreas e viabiliza a proliferação de vírus e o agravamento de doenças respiratórias e alérgicas”, comenta.

Uma medida que também é indicada, principalmente para idosos, é a hidratação corporal, “pois com o avanço da idade as pessoas perdem a oleosidade da pele, o que favorece o ressecamento. Com isso, os portadores de doenças de pele crônicas tendem a ter o quadro agravado. Também é ideal evitar banhos quentes demorados e coçar a pele ressecada”.