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Escolha do novo papa deve ser rápida, diz vaticanistas

CONCLAVE – Começa hoje a eleição do sucessor de Bento 16; 115 cardeais estão aptos a votar

Começa hoje o conclave, que decidirá quem será o sucessor do papa emérito Bento 16. Haverá uma missa, da qual os 115 cardeais com direito a voto participam, seguida de uma espécie de procissão para o juramento relativo ao processo eletivo até o início da assembleia. Não há prazo fixado para o fim do conclave.

A expectativa dos vaticanistas – especialistas em Vaticano – é que a escolha do sucessor de Bento 16 seja rápida, pois há um desejo de consenso entre os eleitores. O conclave que elegeu o papa João Paulo II, em 1978, durou três dias, e o do papa emérito Bento 16, em 2005, dois dias.

No primeiro dia do conclave haverá apenas uma votação à tarde. A previsão é que a fumaça branca, no caso de eleito o papa, ou escura, se não houver consenso, seja emitida pela chaminé da Capela Sistina, na Praça São Pedro, no fim da tarde ou começo da noite. Os fiéis e curiosos que estiverem no local terão visão privilegiada.

Em caso de ausência de consenso, devem ocorrer até duas votações por dia durante o conclave. Cada um dos eleitores escreve o nome de seu escolhido em uma cédula de papel, em tamanho retangular e disfarçando a letra. Após a votação de todos, as cédulas são contadas. Três cardeais fazem o papel de escrutinadores, registrando os votos, e três cumprem a tarefa de revisão dos votos. Depois, as cédulas são costuradas e levadas para o forno para serem queimadas.

Para a eleição do papa, são necessários dois terços dos votos dos presentes, no caso 77 cardeais.  Se em três dias não houver consenso, a votação deverá ser suspensa por 24 horas para orações e reflexão. Depois, são promovidos mais sete dias de votações até completar um total de 34 (votações).

Porém, se mesmo depois de 34 votações não for alcançado o consenso, é feita uma eleição entre os dois candidatos que mais receberam votos. O escolhido deve dizer se aceita ser papa. Em caso positivo, ele é apresentado aos fiéis na Praça São Pedro.

 

Odilo Scherer cotado

 

Cinco cardeais brasileiros estão atos a participar do Conclave, sendo todos aspirantes ao pleito de papa. São eles: Raymundo Damasceno, atual arcebispo de Aparecida e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cláudio Hummes, de 78 anos, arcebispo emérito de São Paulo, Odilo Scherer, de 63 anos, atual cardeal arcebispo de São Paulo, João Braz de Aviz, de 66 anos, que mora em Roma e é prefeito das congregações dos religiosos em Roma, e Geraldo Majella Agnelo, de 79 anos, arcebispo emérito de Salvador (BA).

Entre os 115 cardeais, o brasileiro Odilo Scherer é um dos quatro mais bem avaliados para suceder Bento 16. Ele aparece numa lista que tem como preferidos Peter Turkson, de 64 anos, ganense, chefe da Comissão de Justiça e Paz do Vaticano; Laurent Monsengwo Pasinya, de 74 anos, congalês, arcebispo de Kinshasa, no Congo; Timothy Dolan, de 63 anos, norte-americano, arcebispo de Nova York, nos Estados Unidos e Luis Antonio Tagle, de 57 anos, filipino, arcebispo de Manila e membro do Colégio de Cardeais.