Polícia

Delegacia da Mulher de Cianorte registra segundo feminicídio

Esfaqueamento do final de semana foi o segundo crime do tipo em pouco mais de um ano de funcionamento
A Delegacia da Mulher de Cianorte atende toda a região e já registrou dois feminicídios desde o ano passado (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Neste domingo (8), o assassinato de uma mulher de 40 anos, que foi esfaqueada pelo ex-marido, dentro de uma igreja, chocou a população de Cianorte. Segundo a Polícia Militar, os agentes foram acionados por volta das 21h40 para atender a um esfaqueamento na avenida Piauí.
No local, a equipe localizou a vítima, identificada como Geni de Souza Soares Wurmeister, com quatro golpes de facada nas costas e outros três na região do tórax. Testemunhas informaram que o autor do crime seria o ex-marido, um homem de 51 anos, que havia fugido a pé. A faca utilizada no crime foi encontrada dentro de um bueiro.

Equipes do Corpo de Bombeiros e Samu estiveram no local, mas apenas constataram o óbito. A perícia da Polícia Civil também foi acionada para liberar o corpo para o Instituto Médico Legal (IML) de Campo Mourão.

As equipes policiais realizaram buscas pela região e encontraram o homem, que confessou a autoria do crime. O eletricista de iniciais L.W foi preso em flagrante, menos de duas horas após o crime, e deve permanecer na Delegacia de Cianorte até decisão judicial.

De acordo com a delegada Gabrielle Berwig Amaral, da Delegacia da Mulher, a vítima já havia registrado um boletim de ocorrência por lesão corporal contra o ex-marido, há cerca de 30 dias, e tinha medidas protetivas impostas pela justiça. Segundo informações, os dois haviam terminado um relacionamento de mais de sete anos há pouco tempo.

Atualmente, o autor do crime morava na igreja que a ex-esposa frequentava e, segundo ele, os dois continuavam conversando normalmente, mas discutiam com frequência. O eletricista contou que eles começaram a discutir porque ele havia pedido um computador que tinha comprado para o filho dela e ela se recusou a devolver. O homem então teria entrado na igreja, pegado a faca e desferido os golpes numa situação de raiva e descontrole. Após a prisão, ele disse estar arrependido e considerou que o crime foi cometido “por bobeira”.

FEMINICÍDIO

O caso ocorre pouco mais de uma semana depois do julgamento que encerrou o primeiro feminicídio registrado em Cianorte desde a implantação da Delegacia da Mulher, em julho do ano passado. Na ocasião, um jovem de 21 anos foi condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato da ex-namorada, no ano passado. Ela também foi morta a facadas e o motivo foi por não querer reatar a relação.

Segundo o Código Penal, o feminicídio é “o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino”, isto é, quando o crime envolve: “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. O crime é considerado homicídio qualificado e a pena prevista vai de 12 a 30 anos de reclusão.

A nomenclatura ainda é recente no Brasil. O crime de feminicídio foi definido legalmente com a entrada em vigor da Lei nº 13.104 em 2015, que alterou o art. 121 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940).

O crime também foi adicionado ao rol dos crimes hediondos (Lei nº 8.072/1990), como estupro, genocídio e latrocínio, o que significa que é considerado de extrema gravidade.

Em agosto, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um estudo que aponta o Brasil como quinto país com a maior taxa de feminicídios do mundo. Segundo o documento, o número de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres.

LEI MARIA DA PENHA

A luta contra a violência doméstica foi intensificada com a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, que permitiu a elaboração de medidas de proteção diferenciadas a mulheres vítimas de agressão e garantiu mais agilidade na assistência às vítimas. Antes da lei, os agressores não podiam ser presos em flagrante, por exemplo.

De acordo com a delegada Gabrielle, há muitas razões pelas quais algumas mulheres permanecem em uma relação violenta e não procuram amparo legal, mas é necessário estar atenta a qualquer sinal de abuso ou agressão, física ou verbal, e procurar a Delegacia da Mulher.

COMO DENUNCIAR

Para casos de violência contra a mulher, ligue para o disque denúncia pelo 181, Polícia Militar pelo 190, Polícia Civil pelo 197 ou 180. Se você foi vítima de agressão, procure uma delegacia e leve seus documentos pessoais. A Delegacia da Mulher de Cianorte fica na rua Abolição, 538, e atende de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h. O telefone para contato é (44) 3631-2169. Fora desses dias e horários, procure a 21ª SDP, localizada na rua Monte Verde, 91, ou ligue (44) 3637-5300. (Com informações de 5ª CIPM, Dia a Dia Notícias Online, Instituto Patrícia Galvão e Agência Brasil)