Polícia

Defesa diz que vereador preso acusado de pedofilia é inocente

Advogados de Cláudio Ramos rechaçam denúncias de assédio contra adolescente e ingressam com pedido de liberdade
Pedro Gameiro (E) e Ademir Marques ingressaram com pedido de habeas corpus para colocar em liberdade Cláudio Ramos (Foto: Martins Neto / Tribuna de Cianorte)

Os advogados Ademir Olegário Marques e Pedro Eduardo Cortez Gameiro, responsáveis pela defesa empresário e vereador de Jussara Claudio Ramos, disseram nesta terça-feira, 19, com exclusividade à TRIBUNA DE CIANORTE, que seu cliente está sendo mantido preso ilegalmente e que não há denúncias concretas para mantê-lo preso por conta de um mandado de prisão preventiva.

Claudio Ramos foi preso no dia 12 de novembro acusado de ter assediado através de mensagens de aplicativo de celular uma adolescente de 13 anos que também mora em Jussara. De acordo com a Polícia Civil, Ramos fazia parte do círculo de amizade da família da vítima e em seu celular foram encontradas centenas de fotos e vídeos com conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. 

Os dois advogados confirmaram que já ingressaram com um pedido de habeas corpus juntos ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) e que estão confiantes que Ramos será colocado em liberdade nas próxima horas. Os juristas negaram que Claudio Ramos tenha assediado a adolescente e muito menos compartilhado fotos e vídeos de adolescentes com conteúdo pornográfico encontrados em seu aparelho celular. “O crime que Claudio Ramos foi, à princípio indiciado, resume-se em armazenar conteúdo pornográfico que envolva crianças ou adolescente. A pena prevista nesses casos é de um a quatro anos de reclusão em caso de condenação”, esclarece Pedro Gameiro. “Mas essa pena pode cair para um ano, dependendo do caso”, completa o advogado.

Além disso, explica o profissional, Cláudio Ramos, possui todas as qualidades para responder o processo em liberdade, pois tem bons antecedentes, residência fixa há mais de nove anos, trabalho lícito, sem

qualquer mínimo indício de que esteja envolvido com organização criminosa.

Gameiro também negou que Cláudio Ramos compartilhava as imagens encontradas em seu telefone celular com outras pessoas e não quis confirmar se o acusado realmente fazia parte do círculo de amizades da família da adolescente, conforme revelado pelo delegado-chefe da 21ª Subdivisão Policial, Jonas do Amaral. “Não há absolutamente nada que confirme compartilhamentos”, disse o advogado.

VISITAS SÓ DE ADVOGADOS  

Durante a entrevista, os dois advogados evitaram dar detalhes do estado emocional de Claudio Ramos, mas confirmaram que ele tem se alimentado regularmente e recebido visitas apenas dos advogados, a última delas no sábado, 16. O vereador também é mantido em prisão especial, por sua condição de vereador, mas os defensores do acusado não quiseram explicar se ele é mantido em cela separada dos demais presos ou se divide o espaço com mais alguém. 

Ademir Olegário Marques e Pedro Eduardo Cortez Gameiro também sustentam a tese de que há “vícios de ilegalidade” em todo o procedimento que culminou com a prisão do empresário e vereador, e que segundo os profissionais, prejudicaram o acusado.

ENTENDA O CASO

Cláudio Ramos foi preso no seu estabelecimento comercial no centro de Jussara por uma equipe da Polícia Civil e encaminhado para a 21ª SDP em Cianorte, onde foi ouvido em depoimento pelos delegados Carlos Stecca e o Jonas do Amaral, chefe da subdivisão. 

Stecca disse no dia da prisão que Cláudio Ramos se passava por um adolescente de 16 anos, que vivia em outro estado para poder ganhar a confiança da vítima. No celular do vereador foram encontradas mais de 100 imagens e 50 vídeos de crianças e adolescentes com conteúdo pornográfico, além disso, a investigação da polícia constatou que ele participava de um grupo de aplicativo de mensagens que compartilhava conversas, vídeos e fotos de crianças e adolescentes em cenas pornográficas. 

Conforme o delegado, em seu depoimento, Claudio Ramos confirmou a troca de mensagens, mas negou que teve contato físico com a vítima. A informação também foi sustentada pela adolescente, quando foi ouvida pela polícia. 

Além das imagens, o aparelho guardava conversas com a adolescente. O vereador se fazia passar por outra pessoa nos diálogos com a vítima, conforme a polícia. Além disso, a investigação também revelou que no aparelho havia imagens de outras adolescentes nuas, porém, segundo o delegado titular da 21ª SDP. Jonas do Amaral, ainda não é possível confirmar se o vereador mantinha contato com essas adolescentes.