Saúde

Cianorte tem nove casos de tuberculose

Outros dois casos da região são acompanhados pelo Ciscenop; tratamento é obrigatório
["O Centro de Testagem e Aconselhamento gerencia o tratamento dos pacientes de Cianorte ","",""] (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

A tuberculose ainda é um grave problema de saúde pública e atinge cerca de 70 mil brasileiros por ano, segundo o Ministério da Saúde. Causada por um bacilo de fácil transmissão, a doença se espalha facilmente e precisa ser controlada de forma minuciosa pelos agentes de saúde. Em Cianorte, nove pessoas foram diagnosticadas com tuberculose desde o início do ano e estão em tratamento. Nos outros 10 municípios da região, há mais dois casos notificados.

Durante todo o ano de 2017, nove pacientes fizeram tratamento de tuberculose em Cianorte e dois deles morreram. Na região, foram oito casos. Em 2016, foram 13 casos e uma morte em Cianorte e outros oito casos na região. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e foram repassados pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde e pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde Centro Noroeste do Paraná (Ciscenop), responsáveis pelo tratamento.

DETECÇÃO

A enfermeira do CTA, Aline Soares de Almeida, explica que a maioria dos casos é detectada pelos agentes comunitários de saúde (ACS). “Nas visitas aos moradores, os profissionais perguntam se alguém está com tosse prolongada (por mais de três semanas) e, ao identificarem casos suspeitos, encaminham às Unidades Básicas de Saúde.”

Nas UBSs, os pacientes recebem uma liberação de ‘exame do escarro’, que consiste em analisar uma amostra de escarro para verificar a presença do bacilo causados da tuberculose. Segundo a enfermeira, o resultado sai de um dia para o outro e, sendo positivo, o paciente já inicia o tratamento, que tem duração de seis meses. Em Cianorte, a medicação é liberada pelo CTA e fica nas UBSs para o tratamento diretamente observado, em que o remédio precisa ser tomado sob a supervisão de um profissional da saúde. Geralmente, são quatro comprimidos ao dia que precisam ser ingeridos pela manhã. Os pacientes em tratamento definem se tomam a medicação na Unidade Básica ou se recebem a visita do profissional em casa.

Geralmente, o tuberculoso deixa de transmitir a doença depois dos primeiros 30 dias, mas o tratamento precisa persistir por mais quatro meses. O exame de escarro é refeito mensalmente até a conclusão dos medicamentos e o paciente é acompanhado pelas equipes de saúde mesmo depois da cura.

Nos casos em que a pessoa se nega a dar continuidade ao tratamento, a Regional de Saúde é acionada e pode recorrer à Justiça. Por se tratar de uma doença infecciosa, o tratamento é obrigatório.

TRANSMISSÃO

A tuberculose é uma doença de transmissão aérea, ou seja, ao falar, espirrar e, principalmente, ao tossir, os tuberculosos lançam no ar partículas que contêm bacilos. De acordo com o Ministério da Saúde, um indivíduo que tenha baciloscopia positiva pode infectar, em média, de 10 a 15 pessoas, em um ano. Além disso, os bacilos se depositam em roupas, lençóis, copos e outros objetos.

Por isso, quando uma pessoa é diagnosticada com a doença os contactantes – que moram na mesma casa e convivem diariamente – também passam por uma avaliação médica e podem ser encaminhados para o exame PPD, que detecta a presença do bacilo.

“Em alguns casos a pessoa tem contato com o bacilo e desenvolve a doença anos depois. O exame também é realizado periodicamente nos indivíduos privados de liberdade e nos soropositivos, que são mais suscetíveis à doença”, explica Aline.

Quando o exame detecta a presença do bacilo, a pessoa recebe uma medicação para impedir que a doença evolua.

A tuberculose pulmonar é a mais comum, mas a doença também se manifesta em outros órgãos como olhos, linfonodos, ossos, articulações, fígado, baço, sistema nervoso central e até na pele. Por isso, os sintomas vão além da tosse por mais de três semanas e abrangem: perda de peso e apetite, sudorese, febre e sensação de falta ar.

PREVENÇÃO

De acordo com a enfermeira, a principal medida de prevenção à tuberculose é tomar a vacina BCG, aquela geralmente aplicada nos primeiros dias de vida e que deixa cicatriz. Pacientes soropositivos precisam ter atenção redobrada e fazer o exame PPD anualmente para garantir que não sejam infectados pelo bacilo.

As falhas na imunidade celular acarretadas pelo HIV podem levar a um agravamento potencialmente fatal da tuberculosa, que é a principal causa de morte entre soropositivos.

As mortes por tuberculose registradas em 2017 na cidade foram de pessoas que tinham HIV.