Saúde

Casos de sífilis triplicaram em 2017

Doença sexualmente transmissível vem crescendo nos últimos anos.
Profissionais dos 11 municípios puderam aprofundar conhecimentos sobre a doença (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Profissionais dos 11 municípios de abrangência da 13ª Regional de Saúde de Cianorte participaram nesta quarta-feira (18) de uma capacitação voltada para a sífilis, doença diagnosticada em 242 pacientes em 2017 na forma adquirida. O número é três vezes maior do que o registrado em 2016, quando houve 79 confirmações. No ano passado, 29 casos também foram notificados em gestantes e 17 em bebês, que já nasceram com a doença.

Segundo a chefe da Vigilância em Saúde, Thalita Bongiorno de Souza, o foco da reunião foi apresentar o perfil epidemiológico local a médicos e enfermeiros que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais e no consórcio para ampliar a conscientização e a prevenção da doença.

“A capacitação foi pensada de acordo com o perfil da região, que vem registrando um aumento da sífilis nos últimos anos. Os profissionais puderam ampliar seus conhecimentos em relação a manejo e tratamento da doença para aplica-los em seus locais de atendimento e, assim, contribuir para a diminuição dos casos”, explicou.

DST

A sífilis é uma doença infecciosa transmitida por contato sexual ou das mães para os filhos durante a gestação. Entre os principais efeitos causados por ela estão pequenas feridas nos órgãos sexuais e boca, além do aparecimento de ínguas. Existem três tipos de sífilis: a adquirida (que é transmitida por relações sexuais), em gestantes (que adoecem depois de ter relações com uma pessoa infectada) e a congênita (transmitida de mãe para filho durante a gestação).

Segundo Luís Guilherme Nicolau, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, o estado passou de uma situação quase erradicada para um extremo aumento da doença principalmente pela falta do uso de preservativo nas relações sexuais.

Para a enfermeira coordenadora do Grupo Técnico Estadual para Controle, Redução e Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (GTEIST), Cynthia Helena Baroni, não pode haver descuidos. “Todos precisam se prevenir e fazer os testes rápidos para detecção periodicamente, mesmo aqueles que têm parceiros sexuais fixos. As pessoas precisam se conscientizar e precisam se proteger mais”, afirmou.

A capacitação também foi realizada na segunda-feira (16) para que os profissionais tivessem duas oportunidades de participação.

Em Cianorte, todas as UBS distribuem preservativos femininos e masculinos gratuitamente e também realizam os testes rápidos para detecção de DST’s, assim como o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).

DADOS

O número de casos de sífilis adquirida passou de 16 em 2014 para 242 em 2017, na 13ª RS. Este ano, a região já registrou 28 notificações deste tipo da doença. Em gestantes, o número passou de 15 para 29, entre 2014 e 2017. Em 2018, quatro gestantes já apresentaram sífilis. O tipo congênito saltou de oito para 17 entre 2014 e 2017 e já chega a cinco casos em 2018.

A 13ª RS oferece todo o tratamento necessário para a sífilis, incluindo gestantes, bebês e parceiros sexuais. Durante o pré-natal, as gestantes precisam realizar três testes, um a cada trimestre, para detecção dessa e de outras DST’s que possam causar má formação do feto.

PARANÁ

Em outubro de 2017, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) lançou um alerta para o aumento exponencial dos casos de sífilis no estado. Em 2011, o Paraná registrou 474 casos da doença em gestantes e em 2016 este número subiu para 2066. No mesmo período, a sífilis congênita teve um aumento de 345,3% (212 casos em 2011 e 732 casos em 2016). A sífilis adquirida apresenta os dados mais alarmantes. Em cinco anos, houve aumento de 1231% - de 439 casos registrados em 2011 para 5393 em 2016.