Saúde

Casos de leishmaniose já chegam a 18 na região de Cianorte

Transmitida pelo mosquito-palha, doença pode ser evitada com simples medidas de prevenção
Os primeiros sintomas da leishmaniose tegumentar são as erupções na pele, que precisam ser avaliadas por um dermatologista (Foto: Venilton Küchler/SESA)

Nos primeiros 10 meses de 2017, a 13ª Regional de Saúde (RS), que compreende 11 cidades, já registrou 18 casos da doença, metade deles em Jussara e cinco em Cianorte. Pouco popular, a leishmaniose tegumentar provoca ulcerações na pele e tem tratamento específico, disponibilizado no Consórcio Intermunicipal de Saúde Centro Noroeste do Paraná (Ciscenop).

Desde 2013, a RS contabilizou 238 casos da doença, sendo 55 em Jussara e 103 em Cianorte. A chefe de Vigilância em Saúde do órgão, Thalita Gabrielly de Souza, explica que o número de casos confirmados em Cianorte também abrange a população de cidades vizinhas, já que o município é referência na região. Segundo ela, a cidade de Jussara é endêmica e exige atenção especial.

“A leishmaniose é transmitida pelo chamado mosquito-palha, que reside em matas fechadas. Por isso, a principal forma de prevenção da doença é tomar cuidado ao adentrar esses locais, seja para pescar ou para outras atividades. É importante sempre utilizar repelentes, botas e roupas de manga comprida”, alerta.

Os principais sintomas da leishmaniose tegumentar são as ulcerações na pele. A forma mucosa se caracteriza por infiltrações e destruição dos tecidos da cavidade nasal, faringe ou laringe. Nas formas mais graves, os pacientes podem apresentar dificuldade de engolir, alteração da voz, insuficiência respiratória e pneumonia. Se não for tratada corretamente, a leishmaniose pode levar à morte.

De acordo com a 13ª RS, apesar do tratamento ser considerado complexo, é eficaz para o combate à doença, desde que o diagnóstico seja precoce. No Ciscenop, o paciente com suspeita de leishmaniose passa pela avaliação de um dermatologista e realiza diversos exames de sangue. Se a doença for confirmada, o paciente recebe um acompanhamento médico adequado e uma medicação específica.

A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) conta com núcleos de entomologia distribuídos pelas regionais de saúde que realizam mapeamento do mosquito transmissor para detecção da estimativa de circulação viral no Paraná. O núcleo responsável pela região noroeste fica em Porto Rico.

DOENÇA NOS ANIMAIS

Outro tipo de leishmaniose, chamada de visceral, também acomete cachorros e pode ser transmitida para humanos pelo mesmo mosquito, ao picar um animal infectado. Nessa forma, a doença atinge o fígado e o baço, comprometendo o correto funcionamento do sistema hematológico e leva à morte em 90% dos casos, quando não tratada corretamente.

A grande preocupação com os animais é a facilidade de transmissão, pela mobilidade dos cachorros e dos mosquitos. Normalmente, quando os cães são contaminados apresentam apatia, lesões de pele, queda de pelos (inicialmente ao redor dos olhos e nas orelhas), emagrecimento, conjuntivite e crescimento anormal das unhas. Existe tratamento para a doença nos animais, mas devido à complexidade do processo e do custo elevado, na maioria das vezes recomenda-se sacrificar o cão.

Em humanos, os principais sintomas da leishmaniose visceral são: febre contínua com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios, diarreia e sangramentos na boca e nos intestinos. Em 2015, o Paraná registrou o primeiro caso da doença em humanos em Foz do Iguaçu. De acordo com a 13ª RS, não há casos de leishmanione visceral na nossa região. (Com informações da Agência Estadual)