Saúde

Casos de leishmaniose caem mais de 75% nos últimos dois anos

Registros da doença vem caindo desde 2016; população está mais consciente
Os principais sintomas da doença são as ulcerações que aparecem na pele (Foto: VENILTON KÜCHLER / SESA)

Os casos de leishmaniose diminuíram drasticamente nos últimos dois anos nos 11 municípios da 13ª Regional de Saúde (RS) de Cianorte, segundo dados divulgados pelo órgão. Em 2015, foram 95 registros da doença, a maioria (48) em Cianorte e Jussara (20); já em 2016 o total de casos caiu para 23, sendo 10 em Cianorte e apenas quatro em Jussara. No ano passado, o número se manteve, com nove casos em Cianorte e outros nove na cidade vizinha. Em 2018, sete pessoas contraíram a doença na região, três em Cianorte, três em Jussara e uma em Tuneiras do Oeste.

Para o dermatologista Flávio Goya, que atua no atendimento aos pacientes com leishmaniose na 13ª RS, o conhecimento da população está ajudando a diminuir os casos da doença. “Muitas pessoas já sabem como é a leishmaniose e têm consciência do que precisam fazer para evitá-la e isso tem nos ajudado nesta queda. Além disso, os pacientes têm levado o tratamento mais a sério e persistido até o fim, para garantir que a doença não volte”, afirmou.

A leishmaniose é transmitida pela picada do mosquito-palha, muito comum em regiões de mata fechada e beiras de rios. O principal sintoma são ulcerações na pele. A doença também se caracteriza por infiltrações e destruição dos tecidos da cavidade nasal, faringe ou laringe. Por isso, nas formas mais graves, os pacientes podem apresentar dificuldade de engolir, alteração da voz, insuficiência respiratória e pneumonia. Se não for tratada corretamente, a leishmaniose pode levar à morte.

Segundo o médico, o tratamento da doença é complicado para alguns pacientes, pois o medicamento intravenoso é cardiotóxico, ou seja, afeta o coração. “Para ser submetido ao tratamento, o paciente passa por uma avaliação cardiológica e é acompanhado de perto durante 20 ou 30 dias. Quem não segue as recomendações ou abandona o tratamento antes do término pode ter sequelas da doença depois de meses ou anos, com acometimento da mucosa, por isso a importância do comprometimento”, afirmou.

O tratamento para a leishmaniose é disponibilizado no Consórcio Intermunicipal de Saúde Centro Noroeste do Paraná (Ciscenop) para todos os moradores da região. Quando um caso suspeito é identificado em algum dos municípios, o paciente é encaminhado para o dermatologista do Consórcio e já inicia do tratamento, se a doença for confirmada. De 2013 a 2017, a RS contabilizou 238 casos de leishmaniose, sendo 55 em Jussara e 103 em Cianorte.

Segundo a chefe de Vigilância em Saúde da 13ª Regional, Thalita Gabrielly de Souza, a cidade de Jussara é endêmica para a doença e exige atenção especial. “A principal forma de prevenção é evitar locais de mata fechada e tomar cuidado ao adentrá-los, seja para pescar ou para outras atividades. É importante sempre utilizar repelentes, botas e roupas de manga comprida”, alerta.

A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) conta com núcleos de entomologia distribuídos pelas regionais de saúde que realizam mapeamento do mosquito transmissor para detecção da estimativa de circulação viral no Paraná. O núcleo responsável pela região Noroeste fica em Porto Rico.

LEISHMANIOSE VISCERAL

Outro tipo de leishmaniose, chamada de visceral, é mais grave e também acomete animais, principalmente cachorros. Nessa forma, a doença atinge o fígado e o baço, comprometendo o correto funcionamento do sistema hematológico e leva à morte em 90% dos casos manifestados em animais, quando não tratada corretamente.

Em humanos, os principais sintomas da leishmaniose visceral são: febre contínua com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios, diarreia e sangramentos na boca e nos intestinos. Em 2015, o Paraná registrou o primeiro caso da doença em humanos em Foz do Iguaçu. De acordo com a 13ª RS, nunca houve casos de leishmaniose visceral no Noroeste.