Saúde

Casos de dengue crescem em quase todos municípios da região

Diagnósticos avançam na área da 13ª RS; apenas Tuneiras do Oeste não tem registro da doença
["Em Cianorte, o n\u00famero de focos de dengue nas resid\u00eancias e em lixo jogado nas ruas continua alto."] (Foto: Vigilância Sanitária Cianorte )

O número de casos de dengue cresceu na maioria os municípios da 13ª Regional da Saúde com sede em Cianorte. No mês passado, municípios como Indianópolis e São Manoel do Paraná não tinham nenhum diagnóstico da doença e agora já apresentam registros. Tuneiras do Oeste é o único que ainda não tem casos de dengue. O clima e as epidemias em Cianorte e Japurá são as principais preocupações entre as vigilâncias epidemiológicas das cidades.

De acordo com a enfermeira da Vigilância Epidemiológica de São Manoel do Paraná, Odete Bernardo da Silva, a cidade tem quatro casos de dengue, mas a preocupação é grande porque os registros têm aumentado e o número de focos encontrados também. “Os agentes tem encontrado muitos focos, mesmo com os arrastões e toda orientação que a gente faz”, afirma.

O primeiro caso confirmado na cidade foi importado de Japurá, que está em epidemia desde março. “A orientação é evitar ir para Cianorte e Japurá, mas é difícil porque a maioria das pessoas vai aos médicos de Cianorte. Indicamos o uso de repelentes e o máximo de cuidado porque São Manoel do Paraná é uma cidade pequena. Queremos evitar o descontrole”, explica a enfermeira.

São Tomé está com oito casos confirmados, segundo o chefe da divisão de Vigilância Sanitária, Vagner Bonilha, alguns casos também são importados de Japurá. “Com o aumento de casos a vigilância começou a notificar todas as residências onde são encontrados os focos, porque os criadouros dos mosquitos continuam aparecendo e a população precisa começar a ajudar”, diz o chefe.

Cidade Gaúcha está com 36 e Tapejara com 30 casos. Os dois são os municípios com o maior número de casos, excetuando os que estão em epidemia. Indianópolis tem dois casos que são importados. De acordo com o boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa), Guaporema tem dois casos confirmados, Jussara três e Rondon 16 casos.

COM EPIDEMIA

O número de diagnósticos confirmados da doença em Cianorte é 478. Os dados foram atualizados pela Prefeitura na terça-feira (21). De acordo com a supervisora do Programa de Controle de Dengue, Vera Fusisawa, o clima e a falta de colaboração da população fizeram os casos aumentarem. “A situação não está favorável e a população também não ajuda. Todos os dias o agentes encontram focos nas casas e não tem como ter o controle de todas as residências”, afirma Vera.

Para tentar diminuir os focos nas casas, os agentes do Programa de Combate a Endemias, por recomendação do Ministério Público, notificaram 26 proprietários de residências e estabelecimentos comerciais que aglomeram grande quantidade de objetos, itens de reciclagem e materiais sólidos em seus imóveis. As notificações foram emitidas na manhã de terça-feira (21) e os proprietários têm até 72 horas para a limpeza do imóvel.

Japurá tem o registro de 406 casos. De acordo com o secretário da Saúde, Deywid Michel Ferreira, a cidade já passou pelo período crítico de epidemia. “Nós já conseguimos diminuir os focos encontrados nas casas e número de notificações diárias também já abaixou”, diz o secretário.

FUMACÊ

A Sesa confirmou que o veneno que é colocado nos carros para o fumacê acabou no Paraná. A Secretaria afirmou que o estoque acabou no dia 15 de maio e a os municípios que precisarem do veneno devem esperar o Ministério da Saúde, responsável pela compra e distribuição do veneno nos estados, normalizar a situação.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram enviados 42 mil litros do veneno Malathion EW 44% para o Paraná neste ano. Em nota, o Ministério afirmou que o desabastecimento é nacional, mas que deve ser normalizado em junho, quando os novos pedidos do veneno devem chegar ao Brasil.

A nota também diz que devido à crescente resistência do mosquito, as opções de escolha de inseticida efetivos ao controle ficam limitadas, sendo atualmente o Malathion a única opção com registro na Anvisa para utilização. A lista de pré-qualificação de produtos para controle de vetores é disponibilizada no pela Organização Mundial da Saúde (Oms) e demonstra que atualmente não existe nenhum inseticida com registro na Anvisa que possa fazer a substituição do Malathion EW 44%.