Saúde

Casos de dengue chegam a 20 e Saúde alerta para risco de epidemia

Secretaria diz que situação é de alerta em alguns bairros; previsão é de aumento dos casos com a chuva
{"Isabela Batista, Heloisa Dantas e Vera Fusisawa cencederam entrevista ontem":" alerta para popula\u00e7\u00e3o."} (Foto: Jaqueline Andriolli.)

A Secretaria Municipal de Saúde de Cianorte já registrou 20 casos de dengue da cidade. O número é preocupante e alerta para o princípio de epidemia em alguns locais da cidade. O número de casos já é alto em bairros como Zona 3, Vila Sete e a região compreendido como Setor 3.

O último ano em que a cidade registrou uma epidemia foi em 2015, com aproximadamente 600 casos. Em 2018 a Secretaria registrou apenas três casos em Cianorte.

Durante coletiva de imprensa realizada pela Secretaria nesta quinta-feita (20), pela manhã, a chefe da Divisão de Prevenção a Saúde, Heloisa Dantas, relata que o momento é preocupante para Cianorte e para os municípios vizinhos, que também registraram um aumento de casos nos últimos dias. Em Japurá já são 60 casos registrados e em Campo Mourão 29. “As condições climáticas estão propícias e a população parece não estar preocupada com a proliferação do mosquito”, afirma.

Outro motivo que serve de alerta para a população é o tipo de vírus que circula na cidade. “O último ano que circulou o vírus tipo 2 foi em 2007 A a partir daquele ano começaram a circular o tipo 1 e tipo 3. Neste ano, só foram diagnosticadas dengue tipo 2. Quem já teve provavelmente é imune ao vírus. Mas para aquelas pessoas que tiveram os outros tipos de dengue, se caso contraírem o vírus tipo 2, o risco de desenvolver a dengue hemorrágica é grande”, ressalta Heloisa.

O lixo encontrado em terrenos baldios são os principais criadouros do mosquito, principalmente em dias de chuva. “O que acontece em terrenos é que nós multamos o proprietário, que é o responsável pelo local, mas geralmente quem joga lixo é a vizinhança”, aponta a supervisora do Programa de Controle a Dengue, Vera Fusisawa.

A supervisora também alerta a quantidade de focos de mosquito encontrados. “Existem focos em todas as localidades do município, em alguns bairros a proliferação está maior, mas a população em geral descuidou. Nós podemos fazer ações, contratar mais funcionários para ajudar na fiscalização, mas de nada vai adiantar se a população também não ajudar”, alerta Vera.

De acordo com Vera, o período de calor e chuvas é propício para o desenvolvimento do mosquito e o risco de epidemia pode se estender até maio. Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti também é transmissor da zika vírus e das febres chikungunya e amarela urbana.

AÇÕES DE CONTROLE

O ponto positivo é que a população procura os postos de saúde logo quando os sintomas aparecem. Com o resultado imediato dos testes rápido, as ações de controle começam mais cedo. “Logo quando é diagnosticado um caso, nós iniciamos a investigação para saber onde a pessoa foi picada pelo mosquito, a partir disso iniciamos as ações de bloqueio contra o mosquito”, explica Vera.

Os testes rápidos para o diagnóstico da dengue podem ser encontrados nos dois hospitais de Cianorte, Santa Casa e São Paulo, na Unidade de Pronto Atendimento (UPS) e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Cianorte disponibiliza o teste há três anos, com ele, o paciente pode iniciar o tratamento contra a dengue mais rápido.

As ações de controle envolvem acabar com os focos de mosquito com a utilização técnica do Ultra Baixo Volume (UBV) com Malathion a 30% diluído em água. Outra ação é o uso do fumacê, que possui baixas doses do agrotóxico Malathione e permite eliminar a maior parte dos mosquitos adultos presentes na região. O problema é que o fumacê traz risco ao meio ambiente e a saúde.

“O fumacê é utilizado em último caso, quando nenhuma outra ação de bloqueio consegue eliminar a maior parte dos mosquitos. A fumaça é um veneno jogado no ar. Nós aplicamos o veneno em locais pontuais, onde existem os focos”, ressalta a chefe da Divisão de Prevenção a Saúde, Heloisa Dantas.