Saúde

Casos de dengue caem mais de 90% na região de Cianorte em 2017

Saúde alerta para necessidade de cuidados nas próximas estações para manter estatísticas positivas
["Segundo a 13\u00aa RS, nossa regi\u00e3o \u00e9 infestada do mosquito Aedes aegypti, que transmite diversas doen\u00e7as"] (Foto: AGÊNCIA BRASIL)

Com a aproximação das estações mais quentes do ano e do período endêmico de desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti na região noroeste, órgãos de saúde alertam para a intensificação dos cuidados na eliminação do inseto transmissor da dengue, da febre chikungunya, do zika vírus e da febre amarela urbana (não presente na nossa região). Nos primeiros oito meses desse ano, 120 casos de dengue foram notificados como suspeitos em Cianorte e apenas um foi confirmado. Em 2016, foram 761 notificações e 81 casos confirmados.

Os números representam um sucesso significativo no combate ao mosquito, mas não podem ser motivo de tranquilidade, segundo a diretora da 13ª Regional de Saúde (RS) de Cianorte, Adriana Batista Gonçalves Guimarães. “Vamos entrar em um período complicado, então precisamos nos preparar para não chegarmos aos números de anos anteriores e para isso precisamos combater o mosquito, que é típico da nossa região. Os cuidados que não devemos mais deixar de ter durante todo o ano têm que ser intensificados neste momento de preparo para a chegada do verão”.

Segundo Adriana, as ações de combate devem ser encadeadas com a Secretaria Estadual, por meio das regionais de saúde; com as secretarias municipais de Saúde e Meio ambiente; com as prefeituras, que precisam estruturar leis para a aplicação de multas aos cidadãos que não eliminam os focos do mosquito; com a imprensa, responsável também pela divulgação das ações e, principalmente, com a população.

Nos 11 municípios da região, foram 179 notificações de casos suspeitos de dengue e dois casos confirmados, em 2017. A diferença para o ano passado é extrema. No mesmo período, já haviam mais de mil casos suspeitos e mais de 100 confirmados. De acordo com Adriana, essa melhora pode ser atribuída às medidas tomadas pela gestão estadual diante das epidemias anteriores.

“Em 2013, ano de maior epidemia de dengue, o governo estadual concretizou a criação do VigiaSUS, um programa que destina recursos específicos para as vigilâncias em saúde. A iniciativa possibilitou que todos os municípios paranaenses estruturassem seus setores de vigilância com a aquisição de veículos, equipamentos, materiais de campo e realização de capacitações. Com isso, as equipes foram fortalecidas e os trabalhos estão sendo desenvolvidos de forma mais intensa”, explicou a diretora da 13ª RS.

Em 2015, o dia 9 de cada mês foi instituído como dia de combate à dengue em todo o estado, possibilitando que cada município desenvolva ações próprias de conscientização.

LEI MUNICIPAL

A Lei Municipal n° 2992, de 2007, determina que a população tem a obrigação de manter seus imóveis limpos e livres dos focos do mosquito Aedes aegypti. O documento também prevê notificações e multas de até R$ 550, de acordo com o tipo de estabelecimento, podendo dobrar de valor se a irregularidade persistir. O infrator também pode ter seus materiais apreendidos e pode perder a licença de funcionamento do local, em caso de empresas. Os reincidentes também perdem o direito de receber “descontos, isenção ou anistia de tributos municipais sob sua responsabilidade pelo período de três anos a contar da data da infração”.

OUTRAS DOENÇAS

No geral, os casos de febre chikungunya e zika vírus também diminuíram na região, mas os órgãos de saúde continuam em alerta, principalmente pelas complicações decorrentes dessas doenças.

Em 2016, 70 casos suspeitos de febre chikungunya foram notificados na 13ª RS, sendo a maior parte deles em Cianorte e Cidade Gaúcha. Destes, quatro foram confirmados, sendo todos em Cianorte. Já neste ano, foram 12 notificações e apenas uma confirmação nos 11 municípios.

“A chikungunya tem preocupado muito porque estamos com muitos casos em Paranaguá e a doença pode evoluir para uma forma crônica, acometendo articulações e agravando casos de artrite, artrose, podendo debilitar a pessoa a longo prazo e prejudicando muito a qualidade de vida”, explica a chefe de Vigilância em Saúde da 13ª RS, Thalita Gabrielly de Souza.

De zika vírus, foram 1095 notificações e cinco casos confirmados em 2016. Neste ano, apenas dois casos foram notificados como suspeitos e nenhum foi confirmado. Em Cianorte, ainda não foi registrado nenhum caso da doença.

Segundo Thalita, “o zika preocupa muito porque 80% dos casos são assintomáticos, então a detecção é complicada e as pessoas têm que estar alertas. Além disso há as complicações em grávidas, que podem gerar bebês com microcefalia, que é uma coisa para a vida toda. As consequências são muito graves”.

ATENDIMENTO

Segundo a 13ª RS de Cianorte, os serviços de saúde locais detectam essas doenças rapidamente, em razão da grande quantidade de casos que Cianorte já teve. Uma importante novidade é o teste rápido da dengue, que confirma na hora se a pessoa tem a doença e o multiplex, um exame que detecta os sorotipos das três doenças, considerado uma inovação do Paraná.

Quem tiver qualquer sintoma das doenças causadas pelo Aedes aegypti deve se dirigir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e relatar o que está sentindo. Além disso, é essencial não esquecer dos cuidados básicos para prevenção e combate ao mosquito.