Cidades

Casa Lar tem apenas duas crianças aptas para adoção

Um adolescente também está habilitado, mas já em processo de aproximação com um pessoa
["Mar\u00edlia Mitie Yoshida acompanha os processos de ado\u00e7\u00e3o."] (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

O Cadastro Nacional de Adoção (CNA) tem mais de 45 mil pretendentes inscritos. Em Cianorte, 25 famílias, em média, procuram por um filho ou uma filha e apenas duas crianças estão aptas para serem adotadas. Apesar da burocracia, o processo não é demorado, dependendo do caso. Para se ter uma ideia, o casal que ocupa o primeiro lugar da fila está cadastrado desde 2015.

A juíza da Vara de Família, Infância e da Juventude, Marília Mitie Yoshida, explica que a posição não representa mais ou menos tempo de espera. “Quando há uma criança habilitada, nós procuramos todos que estão na listagem, por ordem, para saber se há interesse. Depois, partimos para o Cadastro Nacional”. Segundo ela, o processo é muito sério e criterioso. “Às vezes, o último casal da lista ou um que ainda está em habilitação aceita uma criança que os outros não quiseram e se torna o primeiro”, completou.

O processo de adoção, segundo Marília, tem dois enfoques: o da criança ou adolescente e o das famílias adotantes. O objetivo principal é encontrar uma família para a criança e não o contrário. Por isso, quando os pretendentes aceitam, inicia-se um processo de aproximação, que leva em média de três a seis meses, mas pode chegar a um ano.

“O principal problema no processo de adoção é quando não se desenvolvem vínculos afetivos. Porque essa aproximação é comparada a um namoro, sem tempo de duração específico. Entretanto, as crianças não podem esperar muito, por isso a criação de vínculos tem que ser rápida”, destacou a juíza.

Para que a criança ou o adolescente seja apto para adoção, um longo caminho é percorrido, começando pela identificação de famílias em situação de vulnerabilidade, que são assistidas e orientadas pelo poder público, por meio de programas de assistência social. De acordo com Marília, a criança ou o adolescente vai para um abrigo apenas em situação de risco social, abandono ou negligência, e quando a família não reage mais ao atendimento.

Uma vez no abrigo, eles recebem assistência necessária e são dadas algumas chances para que retornem às famílias. Quando isso não é possível, o Ministério Público entra com uma ação de destituição familiar. Depois de todo o processo judicial – em que os pais têm direito a ampla defesa e recorrem em 99,9% dos casos – e do julgamento em primeiro ou segundo grau, a criança fica disponível para adoção, dependendo do tempo de acolhimento.

Atualmente, a Casa Lar de Cianorte tem oito acolhidos, entre bebês, crianças e adolescentes e apenas duas crianças e um adolescente estão aptos para adoção, sendo que o adolescente já está em processo de aproximação com uma pessoa.

COMO ADOTAR

Para fazer o cadastro, os interessados, casais ou solteiros, precisam procurar o Serviço Auxiliar da Infância e da Juventude (SAIJ) com a documentação exigida por lei e iniciar a habilitação, que inclui um curso preparatório. Depois disso, aguardam na lista.

Atualmente, os pretendentes podem selecionar algumas características como pré-requisitos: sexo, cor, idade, grupos de irmãos, saúde física e mental e características dos pais biológicos. A prioridade dos adotantes é regional, mas a comarca também recebe muitas crianças e adolescentes do interior de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, conforme informou Lilian Lavorente, psicóloga judiciária do SAIJ.