Polícia

Câmara vai esperar conclusão de inquérito para definir situação de Claudio Ramos

Direção da casa aguarda fim das investigações para definir futuro de vereador preso
Vereador Claudio Ramos aguarda pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça para sair da cadeia (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A direção da Câmara de Vereadores de Jussara informou nesta quarta-feira, 20, que vai aguardar a conclusão do inquérito policial que investiga o empresário e vereador da cidade, Claudemir Ramos, o Cláudio Ramos (PSC), preso desde o dia 12, na Cadeia Pública de Cianorte, acusado de assédio contra uma adolescente de 13 anos, ser concluído para decidir o futuro político do parlamentar.

Mesmo preso, Claudio Ramos permanece no exercício do mandato, mas de acordo com o diretor-geral da Câmara de Jussara, Paulo Pereira de Souza, o vereador teve seus subsídios suspensos a partir da data da sua prisão. Souza não quis adiantar se a casa de leis vai abrir um processo de cassação contra Ramos e justificou que a direção da mesa, presidida pelo vereador Jeruel Panizio (PSD), não vai se manifestar sobre a prisão do parlamentar nesse momento.

De acordo com o diretor da câmara, o ineditismo do caso pede cautela, e por isso, tudo está sendo conduzido de acordo com as recomendações da procuradoria-jurídica do Legislativo.  A avaliação é que a mesa deve aguardar a conclusão do inquérito e o envio da denúncia à Justiça e a posterior manifestação do Ministério Público Estadual (MP-PR) para, a partir desse momento, seguir o rito processual do Regimento Interno da Câmara de Vereadores de Jussara.

Nesta quarta-feira, os advogados de Claudio Ramos, aguardavam a análise do pedido de liberdade impetrado junto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) na semana passada. Ademir Olegário Marques e Pedro Gameiro estão confiantes que a decisão do desembargador Luiz Carlos Xavier favoreça seu cliente. Até o fechamento desta edição, o magistrado ainda não havia se manifestado a respeito do pedido de habeas corpus.

REVOLTA

Procurado também nesta quarta-feira, o padrasto da adolescente de 13 anos, que acusa o vereador Claudio Ramos de assédio, disse com exclusividade à reportagem de TRIBUNA DE CIANORTE que a família da garota está revoltada com tudo que aconteceu. Sob o compromisso de não revelar sua identidade, o padrasto da adolescente revelou que foi ele quem se fez passar pela vítima durante os últimos cinco dias antes da prisão do vereador, após perceber que algo de estranho estaria acontecendo com sua enteada.

O padrasto contou ainda à reportagem que frequentava a padaria (que desde a prisão do vereador no dia 12 é mantida fechada), que pertence à família do acusado, ao menos três vezes por semana e que a mãe da adolescente é dona de um estabelecimento comercial que fica próximo à empresa de Ramos. “Sou cliente da padaria e frequentava o local cerca de três vezes por semana. Depois que descobri o assédio tive que manter calma e ser frio para continuar frequentando o local sem que ele (Claudio Ramos) desconfiasse que eu já sabia de tudo. Durante todo esse tempo tive que conversar com ele sem que percebesse que já sabia de tudo ”, revelou o padrasto.

Conforme ele, a tática foi uma estratégia da polícia para que se juntasse o maior número de provas possíveis que sustentassem a denúncia contra o algoz de sua enteada. O padrasto disse também que teme pela integridade da adolescente e que a vítima está abalada emocionalmente com tudo que aconteceu. “Não posso acreditar que sabendo de todas as coisas que fez contra minha enteada e de ter confessado o crime, ele possa ser colocado em liberdade”, encerrou.