Cidades

Audiência pública discute projeto de via asfáltica que passará pelo Cinturão Verde

Membros da comunidade se posicionaram contrários à intervenção no Parque Cinturão Verde
O biólogo Fabiano Marreiros explicou o projeto da via de acesso e mostrou os estudos ambientais realizados até agora (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Na manhã desta terça-feira (6), mais de 100 pessoas estiveram presentes na audiência pública promovida pela prefeitura para apresentação da proposta de iniciativa privada que pretende implementar um condomínio residencial próximo à Zona 2 com abertura de via de acesso através do Parque Cinturão Verde. A reunião foi realizada na sede do Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMMA) e atraiu um grande número de pessoas contrárias à intervenção.

O projeto representa uma alternativa ao uso da Estrada Jambers, cujo fechamento está previsto no Plano de Manejo do Parque e no Plano Diretor do Município e já foi recomendado pela 1ª Promotoria da Comarca de Cianorte por se tratar de uma área de preservação ambiental.

O novo caminho consiste em duas vias que saem da Estrada Jambers e seguem margeando a linha férrea por 520 metros, em seguida fazem uma curva à direita em sentido à rua Aracaju por 85 metros. O projeto prevê uma via de acesso com 605 metros no total e 25 metros de largura.

A proposta foi apresentada pelo empresário Leonidio Piornedo Lopes Junior e pelo biólogo Fabiano Marreiros, representantes da loteadora. “O caminho será implantado em uma área descampada que contém erosão e espécies invasoras. O projeto é resultado de um estudo realizado por profissionais técnicos qualificados que levou mais de um ano para encontrar uma alternativa que fosse viável e gerasse o menor impacto ambiental possível. Neste período, cinco alternativas foram levantadas e analisadas de maneira criteriosa e metódica e quatro delas foram descartadas”, explicou o biólogo.

Segundo Marreiros, o novo trajeto também contempla pista de caminhada e ciclovia, passadores de animais, alambrado, tela e iluminação. “A via será pública e permitirá o acesso de toda a população a uma gleba de 65 hectares, dos quais o empreendimento ocupa um terço”, destacou.

Os representantes também mostraram os pareceres técnicos do COMMA, do Conselho de Desenvolvimento do município e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Com a implantação da via de acesso, a empresa loteadora deverá executar algumas medidas compensatórias, tais como: fechamento e reflorestamento da Estrada Jambers e entorno, com um ganho estimado em 20 hectares de reserva legal; recuperação de área afetada por erosão, inclusive além do local em que a via de acesso vai passar; canalização de galeria; construção de alojamento para pesquisadores; criação de recintos especiais para o acolhimento de animais silvestres e alargamento da avenida América até a rua Aracaju, preservando a pista de caminhada.

QUESTIONAMENTOS

Além dos secretários municipais do Meio Ambiente, Guilherme Comar Schulz e de Desenvolvimento, Nelson Magron Junior; do vice-prefeito Beto Nabhan e de outros membros da equipe multidisciplinar do Centro de Pesquisa e Planejamento Ambiental (CEPPA), representantes da comunidade estiveram na audiência para apresentar argumentos contrários à instalação da via de acesso.

A bióloga Kazoe Kawakita, do Núcleo de Pesquisas da UEM, e a geógrafa Nadir Leandro de Souza, professora em Cianorte, falaram sobre as espécies nativas que habitam o local em que a via será implantada e sobre as leis que protegem o Parque Cinturão Verde. “O parque é um patrimônio e está protegido por leis municipais, estaduais e federais que determinam que qualquer supressão da vegetação nativa, total ou parcial, é proibida”, afirmou Nadir. Para a bióloga, a estrada vai dividir o parque, que já está fragmentado, e impedir que a vegetação se regenere.

Outros representantes de entidades e membros da comunidade local também fizeram explanações e pediram que o poder público pense em outras alternativas de acesso ao empreendimento que não gerem impacto ambiental no Parque Cinturão Verde.

O secretário do Meio Ambiente e presidente do COMMA explicou que esta é uma fase preliminar e que agora o projeto seguirá para avaliação dos conselhos municipais competentes, que estão abertos à colaboração de todos os munícipes interessados.

Os vereadores Natal Reis, Victor Hugo Davanço e Sergio Mendes também acompanharam a discussão, assim como integrantes do Ministério Público. (Com informações Assessoria PMC)