Saúde

Associação Médica de Cianorte repudia Programa Mais Médicos

“É a mesma coisa que trazer um chefe de culinária francesa e não ter comida para ele preparar”, disse a presidente da Associação Médica de Cianorte, Maria Laura Neme, sobre o Programa Mais Médico, do Governo Federal, que visa a contratação de médicos brasileiros e estrangeiros para atuarem em regiões carentes do País. Em entrevista à reportagem da Tribuna na tarde de ontem (5), Neme falou sobre o assunto e foi enfática ao ressaltar o repúdio da Associação ao Programa. Para ela, a falta de infraestrutura na Saúde e a não avaliação dos profissionais estrangeiros “mostra que não há seriedade no que está sendo feito”.

“Acham que trazendo mais médicos ao Brasil vão resolver o problema da saúde pública, e não é bem assim. Precisamos da reforma como um todo, de estrutura hospitalar, postos de saúde, leitos de UTI, enfermarias e mais profissionais na área da saúde porque o médico sozinho não faz nada, além de adequar os pagamentos do SUS [Sistema Único de Saúde], que na verdade é uma vergonha. Então não vai ser implantando médicos não avaliados pelo Conselho Federal de Medicina que o problema será resolvido”, declarou a médica.

Dados do Ministério da Saúde apontam que menos de duas mil vagas foram preenchidas na primeira etapa de seleção do programa. Eram previstas 15 mil. Os médicos brasileiros selecionados no primeiro mês de inscrição no programa vão trabalhar em regiões onde há extrema pobreza e nas periferias de grandes cidades, no atendimento básico de saúde para a população. Já foram selecionados 1.753 profissionais para 626 municípios.

Os estados que receberão mais médicos são Bahia (161), Minas Gerais (159), São Paulo (141), Ceará (138), Goiás (117), Rio Grande do Sul (107) e Amazonas (73). Mas esse número representa apenas 11% da demanda por médicos. Já o Paraná vai receber 91 médicos. Das 286 cidades paranaenses que se cadastraram para receber os profissionais, 27 serão atendidas. No total 969 vagas foram solicitadas no estado. Cianorte não está na lista dos municípios que receberá os profissionais do programa.

“Estão colocando a vida das pessoas nas mãos de pessoas que não se sabe se é bom. Não estou julgando a capacidade dos médicos estrangeiros, mas acredito que, assim como qualquer médico brasileiro é avaliado, eles também deveriam ser. Nos Estados Unidos, por exemplo, eles recebem médicos de fora, mas só depois de uma avaliação de idiomas e de provas que avaliam a capacidade dos profissionais. Não somos contra a vinda desses médicos, desde que sejam devidamente avaliados”, finalizou.