Agricultura

Área de cultivo da mandioca cai na região enquanto o preço sobe

Foi o preço da tonelada da mandioca subir que a área de cultivo na região noroeste apresentou uma queda. Dados da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) mostram que de 2015 para cá, a área plantada com a raiz por aqui caiu em média 18%. Na safra passada, 133 mil hectares do noroeste tinham o plantio da planta, já na atual, são 109 mil ha.

Em contrapartida, o preço, que até então era o grande divisor de águas entre o agricultor e a cultura da mandioca, surpreendeu as expectativas de mercado. Em 2015, em pleno momento de crise na mandiocultura, a tonelada foi comercializada a R$ 140; preço nada animador frente às necessidades do produtor rural.

Divulgação SEAB
Número de produtores de mandioca caiu na região no último ano

Já neste ano, no último relatório do Departamento de Economia Rural do Estado (Deral), o preço médio já atinge a margem dos R$ 550 - ou seja, triplicou em apenas um ano. Para Francisco Cascardo Neto, chefe do escritório regional da Seab, em Cianorte, o preço oferecido pela indústria, na época, dificultava a vida do agricultor, principalmente das pequenas áreas.

“Muitos produtores ficaram descapitalizados devido ao volume de empréstimos adquiridos para tocar a cultura. Além disso, falta mão de obra disposta a trabalhar no campo. A questão do arrendamento é outro dificultador, pois o plantio da mandioca ocupa uma área muito extensa e é um cultivo lento, comparado ao milho e soja, que são de apenas quatro meses. Isto fez com que a oferta de terra para a raiz sumisse do mercado”, cita.

Cascardo Neto destaca ainda que o Paraná hoje é líder absoluto no Brasil em produção de fécula – a indústria da mandioca movimentou em 2015 mais R$ 876 milhões; e a região noroeste concentra 70% da produção da raiz, no estado. De 42 fecularias no Paraná, 25 estão na região do arenito. Já em termos de cultivo, o estado ainda fica atrás do Pará, que produziu em 2015 24 mil toneladas/ hectare plantado.