Saúde

Amputado dos braços faz de tragédia pessoal um alerta a trabalhadores

 

O dia 21 de agosto de 1997 jamais será esquecido por Flávio Peralta, com 29 anos na época. Ele sobreviveu a um gravíssimo acidente de trabalho, que o deixou sem os dois braços. Anos antes, 14 de maio de 1981, sempre será lembrado pela então adolescente, a cianortense Jane Franco, depois que sofreu um acidente de moto, o que exigiu uma transfusão emergencial. Ambos que eram vizinhos, em Londrina, e nunca tinham se visto um dia se encontraram e casaram. Hoje, com mais de mais de 650 palestras pelo Brasil e Colômbia, fazem de suas histórias pessoais um alerta aos motoristas e trabalhadores, sobre cuidados mínimos que devem ser levados em consideração para que vidas ou partes delas, não sejam ceifadas. Nessa edição, a Tribuna de Cianorte conta a história de Flávio Peralta.

Ele trabalhava em uma empresa que trocava transformadores de alta tensão. Em mais um dia de trabalho, colocou o cinto, o capacete que estava sem garra para prendê-lo, a luva furada, o aterramento que não funcionava direito e o detector de metal que não apitava. Quando subiu os degraus, foi tomado por uma descarga de 13.800 volts. “Eu não fiz somente uma amputação, fiz várias. Foram muitas as assinaturas até que encontraram um ponto certo para garantir circulação de sangue e vida para mim”, relembra.

Nos momentos em que a enfermeira chegava no quarto para fazer os curativos Flávio, com os cortes dos braços abertos, colocava gazes na boca para  gritar de dor sem que as outras pessoas não se assustassem. O primeiro enxerto foi realizado 40 dias depois.

Em São Paulo colocou um aparelho chamado Ilizarove para aumentar em seis centímetros o braço cortado. “Foram sete meses de angústia com aquele ferro. Mas, a morte me rodeava de novo e quase morri na sala de cirurgia para retirar o aparelho, quando eu tive um choque anafilático”.

Ainda restava uma última cirurgia, a de enxerto de pele para suportar a prótese. O médico tentou tirar a pele da barriga, mas houve rejeição.  “Tive, então, que colar o braço na barriga por 30 dias. Aí, deu certo e a pele da barriga foi parar na ponta do braço. Essa cirurgia existe há mais de 50 anos”, explica Flávio que foi utilizar próteses após 11 cirurgias.

“Quando criei o site www.amputadosvencedores.com.br  em 2001 não pensei que fosse encontrar um novo sentido para a vida. Foi através dele que me tornei palestrante e alerto os trabalhadores desse Brasil sobre a importância de se seguir as normas de segurança do trabalho. Tivemos o privilégio de criar a cartilha “Vamos Praticar Segurança do Trabalho” e ser autor do livro Amputados Vencedores – Porque a Vida Continua, lançado em 2010, pela editora Nobel”. O filho do casal, Vinícius de 10 anos, acompanha a trajetória de ambos. Recentemente, Flávio recebeu da Câmara dos Vereadores de Londrina o Diploma de Reconhecimento Público.