Trânsito

Acidente de moto na adolescência transformou vida de cianortense

 

A cianortense Jane Peralta, hoje moradora de Londrina, e seu esposo, Flávio Peralta, fizeram de suas tragédias pessoais exemplos reais para alertar os trabalhadores sobre direção defensiva, segurança no trabalho e outros temas. O casal viaja por todo o Brasil dando palestras sobre segurança no trabalho e acidentes de trânsito. Prestes a iniciar a Semana Nacional do Trânsito, entre 18 a 25 de setembro, Jane relata sobre como quase perdeu a vida em um acidente de trânsito, quando era adolescente. Foram 83 pontos na perna direita, um pé “caído” e uma grande lição de vida.  A história de Flávio, que após um acidente de trabalho teve seus dois braços amputados, a Tribuna irá narrar na próxima edição. Ambos criaram um site, denominado www.amputadosvencedores.com.br e narraram suas trajetórias no livro Amputados Vencedores – Porque a Vida Continua, lançado em Abril de 2010.

Jane e sua família moravam em Umuarama quando no dia 14 de maio de 1981 um acidente de moto mudaria completamente sua vida. Na época, ela estava com 13 anos e 1,74m de altura e já pilotava sua própria moto e considerava-se uma adulta. Jane trabalhava na construtora do pai e saiu para mais um dia de trabalho. Acenou para uma família vizinha que também saia de casa. Algumas quadras depois ela resolveu não parar na preferencial. “Sempre passo por aqui e nunca cruzei com um carro, desta vez eu vou passar direto” pensou a adolescente.  E ela bateu justamente no vizinho que acabara de cumprimentar.

“O farol do carro se quebrou e estraçalhou minha perna direita, abaixo do joelho. Caí alguns metros da moto e o sangue jorrava para todo lado, com minha artéria cortada. O motorista ficou em estado de choque e não saiu do lugar. Um outro parou seu carro e me levou ao hospital. O sangue jorrou pelo seu carro sem dó”, relembra Jane Peralta.

A garota ficou com o mínimo de sangue que uma pessoa poderia sobreviver e foi submetida a uma transfusão. Os próprios médicos aconselharam os pais a rezarem, diante da situação gravíssima. Ao passar o risco de morte o médico Carlos Alberto Potier avisou que ela poderia perder a perna. A grande extensão do corte exigiu um enxerto de pele, dois meses após o acidente, retirada das nádegas.

Um neurocirurgião garantiu que não havia mais como seu cérebro passar nenhuma mensagem para o pé e ela teve de usar um aparelho chamado goteira, que poderia deixar seu pé fixado a 90º. Jane também conheceu a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).  Em 1985 Jane Peralta fez sua última cirurgia, em Marília, no interior de São Paulo. Ela finalmente voltou a pisar com o pé ereto.

 

Amor e trabalho


Em 1991 se formou assistente social, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), trabalhou em São Paulo e retornou a Londrina em 1996. Logo depois, conheceu Flávio, amputado dos dois braços depois de um choque elétrico de 13.800 volts, em agosto de 1997.

A amizade terminou no altar, em setembro de 2001.  “Eu sabia que minhas mãos seriam emprestadas para ele. Seria eu que serviria sua comida, daria seu banho, trocaria sua roupa, enfim, faria tudo para ele”. Sem que Flávio soubesse Jane anunciou num jornal de Londrina que precisavam de um professor de web para ensinar um deficiente. Em novembro de 2002 o útero de Jane estava adoecendo e o sonho de ser mãe seria realizado em 04 de agosto de 2003, com o nascimento de Vinicius Assunção Franco Peralta. Em junho de 2006, Amilton Antunes, técnico de segurança de uma multinacional, viu o site do Flávio e o convidou para ir até Curitiba para fazer uma palestra narrando seu acidente de trabalho, convite aceito após muitas negativas. E o casal passou a viajar juntos pelo Brasil contando suas experiências.  Além do livro, são mais de 650 palestras pelo Brasil e Colômbia.