Empresas do noroeste tendem a se tornar maquiladoras no PY
O BRASIL QUE CRESCE ALÉM DA FRONTEIRA II – Proximidade da região com o país vizinho atrai cada vez mais indústrias locais ao programa

O Paraná é o estado brasileiro que possui a maior área de fronteira com o Paraguai – são 239 quilômetros que ligam as regiões oeste e noroeste ao país vizinho. Característica que permite ao estado possuir as duas das três principais aduanas brasileiras com o território paraguaio – Guaíra e Foz do Iguaçu. Além disso, cidades polos destas macrorregiões ficam a uma curta distância da fronteira. Cianorte, por exemplo, está a apenas 174 km de Guaíra.
É justamente por este perfil de fácil logística que as empresas de ambas as regiões tendem serem as mais propensas a se interessarem pelo programa de subcontratação internacional: a Lei da Maquila Paraguaia. Recentemente, a potencialidade industrial das regiões foi percebida por agentes da maquila, que realizaram em julho, na cidade de Umuarama, (80 km da fronteira com Salto del Guairá), um encontro com industriais do noroeste, de diferentes setores.
Na ocasião, o criador da Lei da Maquila Paraguaia (nº 1.064/97), Emílio Báez Maldonado, esteve presente. E, a fim de cativar os empresários da região, trouxe detalhes legais e burocráticos do programa. Segundo Maldonado, o processo da maquila tem base em um contrato temporário estipulado com a indústria estrangeira para constituir uma secundária – empresa maquiladora – no Paraguai. Desta forma, o empresário brasileiro teria redução no custo de produção podendo competir com produtos vindos da China e outros países com larga escala de transformação.
“A empresa mantém a matriz no Brasil mas produz no Paraguai”, Emílio Báez Maldonado, criador da Lei da Maquila
A competitividade ocorreria, pois a lei paraguaia prevê isenção de impostos para importar maquinários e matéria-prima vindos da União Europeia e demais partes do mundo. Para Maldonado, a estratégia permitiria o Mercosul competir com o mundo, inclusive a avalanche chinesa. Os produtos da China e outros países que tenham um volume de produção avassalador estão aniquilando a economia dos países do Mercosul, e por isso temos que enfrentar, garante.
Oportunidade de faturamento maior
Empresário de Umuarama espera reduzir em 60% custo da produção com fábrica maquiladora
Três indústrias de Umuarama estão em processo de negociação para participar da lei, entre elas a Nutriphós – indústria de nutrição animal. Ademir Barizon, diretor administrativo da Nutriphós, conta que tem estudado a possibilidade de ‘ser’ uma empresa maquilador produzindo no país vizinho para, assim, retornar ao Brasil com o produto final. A maquila nos traz benefícios como a energia elétrica, que se comparado com a energia daqui apresenta redução no valor de 60%. A cada R$ 1 mil gastos aqui no Brasil com energia elétrica, lá [Paraguai] este custo cairia para R$ 350,00, exemplifica.
Outro ponto abordado pelo empresário, é que no Paraguai existe acesso fácil a insumos importados, os quais são base para a manufaturação de produtos que aqui no Brasil seria inviável devido às taxas de importação. Com a possibilidade de importar tais produtos, a Nutriphós poderia desengavetar projetos de novos produtos para o mercado brasileiro e que hoje seriam inviáveis de serem industrializado no Brasil, detalha.
Se tornar competitivo e com produto de primeira, essa é a intenção da indústria, defende Barizon. Não adianta produzir mais barato só para ganhar mais. Queremos produzir com custo menor para colocar esse produto no mercado com um preço melhor. Ao longo dos anos a margem de lucro vem sendo aniquilada pela carga tributária. Temos produtos em que vamos ter que parar de produzir, por conta disto. Então, com a Maquila ganha a indústria e o consumidor.

Ameaça aos empregos no Brasil?
Lei da Maquila pode levar empregos da região ao país vizinho, mas, criador do programa encara fato como uma inversão de vagas
Na questão de perdas de postos de trabalho para o Paraguai, o gestor da maquila paraguaia, Maldonado, diz não acreditar em desemprego no Brasil, mas sim em uma inversão de vagas. Poderá haver redução nos postos de trabalho da indústria. Porém, com o fortalecimento na questão do consumo devido a produtos mais baratos e com a mesma qualidade, abrirão outras frentes de emprego no Brasil. O ganho na etapa de comercialização e consumo será muito mais vantajoso [no mercado brasileiro], avalia.
Conforme o criador da lei, com a redução no custo dos produtos, que voltam para o Brasil por meio da Maquila, o brasileiro não terá mais que recorrer às falsificações e contrabando vindos em larga escala do mesmo Paraguai. Vemos na fronteira muitos brasileiros comprando eletrônicos, entre outros produtos, pois não conseguem consumir o mesmo produto dentro do Brasil. Essa situação será invertida e isso promoverá riquezas em ambos países, garante.
Parte III – Produzir no Paraguai pode gerar mais renda e novos negócios

