Quem sustentará o legado deixado pela saudosa irmã Benigna?

 

Passados trinta anos da implantação da mais importante obra social de Cianorte, encabeçada pela Irmã Benigna Nazari, desde então, nunca mais se viu em Cianorte crianças em portas de supermercados implorando por migalhas. De ano em ano estas crianças foram sendo recolhidas das ruas, para participar de projetos de promoção humana que ainda existem na Rainha da Paz, entidade fundada por ela. A entidade oferece em contra turno escolar ocupações de aprendizado em diversas áreas, sob a gerência de Gabriel E. Faria e de uma dedicada Diretoria, cuja presidência está nas mãos do valoroso Maurinho do Cartório, como é conhecido. Mas, a entidade que atende em Vidigal e Cianorte perto de setecentas crianças, merece a melhor atenção do Poder Público. Estas crianças comem, permanecem na entidade, dão despesas, que eu chamo de investimento no ser humano e a entidade acaba cumprindo todos estes objetivos e obrigações, que tem muito custo, com contribuições públicas e de doadores que nem sempre são constantes em suas ofertas. E a entidade vai se virando como pode.

Se não quisermos mais ver crianças mendigando no comércio, faz-se necessário contribuir também, seja da forma que for, enviando mantimentos, contribuindo com valores em espécie, fazendo serviço voluntário, porque o que menos queremos é ver crianças pedintes.

A cidade está com muitos mendigos na rua, dormindo dentro dos pontos de ônibus, enfiando-se por baixo dos arcos da igreja, causando um grande desconforto para quem passa, olha, mas tem consciência que também tem participação da origem desta miséria. Por mais que as entidades públicas façam seus trabalhos para sanar este problema, é comum cidades vizinhas desafogarem seus mendigos em nossas ruas; livram-se do problema local e criam um enorme “calcanhar de Aquiles” para Cianorte. Sei do empenho do Poder Público, mas é preciso mais, muito mais.

O CAPER, da Avenida Rio Branco, entidade assistencial fundada pelo François Dantas tem relevante papel em nossa sociedade. Já visitou a entidade de noite ou de manhã? Já viram a quantidade de pessoas em abandono de si mesma recolhida nas noites chuvosas, frias, calorentas e que passam pela entidade? Estas pessoas comem, dormem, tomam banho, trocam de roupas doadas, e lá encontram abrigo em seu próprio abandono. Dormem em colchões doados, em roupas de cama doadas, cobertores doados e utilizam água e gás da entidade que tem que se manter como pode! A voluntariedade de pessoas comprometidas que não buscam promoção pessoal é uma característica do Caper, sem falar do grande programa de recuperação de viciados em drogas SOU VIVO, NÃO USO DROGAS.

Precisamos acordar, não só para entender as dificuldades destas entidades como outras, como a Casa Ester e tantas outras obras que Cianorte mantém à duras penas!

Mas, nenhuma entidade vive de vento tão somente! Necessário se faz que o povo cianortense contribua também para que elas permaneçam em pé, claro, para o seu próprio conforto pessoal: sem crianças nas ruas e sem mendigos, sem drogados o cianortense viverá muito melhor, sem remorsos, porque ajuda a cidade a ser mais humana.

São problemas de uma cidade que cresce!

Izaura Aparecida Tomaroli Varella
Pesarosa de vem em quando!