Aldeia Avá Guarani realiza despesca em projeto com apoio da Itaipu
A comunidade indígena Avá Guarani da aldeia Aty Mirĩ, em Itaipulândia, realizou na última quarta-feira (28) uma atividade de manejo sustentável da piscicultura comunitária, com a despesca parcial de peixes criados em tanques elevados instalados no próprio território. A iniciativa integra o projeto Opaná: Chão Indígena, desenvolvido em parceria entre a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e a Itaipu Binacional, e representa mais uma etapa na consolidação do sistema produtivo voltado à segurança alimentar e à autonomia das comunidades indígenas do Oeste do Paraná.
O cacique da aldeia, Natalino Almeida, destacou o significado coletivo da atividade. Para ele, o pirá (peixe, em Guarani) possui valor simbólico e cultural profundo. “Sempre tivemos o sonho de produzir nosso próprio peixe para o consumo da comunidade. Hoje isso é realidade. Foi uma experiência que deu muito certo e esperamos que esse projeto chegue a outras comunidades também”, afirmou.
O projeto Opaná: Chão Indígena prevê a implantação de dez sistemas produtivos comunitários de piscicultura em territórios Avá Guarani da região. Cada unidade conta com quatro tanques de cultivo e um tanque reservatório, operando com baixa renovação de água, o que reduz o consumo hídrico e os impactos ambientais.
Segundo o coordenador do projeto pela FLD, Jhony Luchmann, a metodologia adotada dialoga diretamente com os valores de preservação ambiental das comunidades indígenas. “A produção em tanques elevados facilita o manejo, permite o reaproveitamento da água e garante uma produção ambientalmente responsável, fortalecendo a autonomia das comunidades em todo o processo”, explicou.

A despesca parcial consiste na pesca seletiva, com separação dos peixes por tamanho. Nesta etapa, cerca de 700 peixes, totalizando aproximadamente 250 quilos, foram distribuídos entre 70 famílias da aldeia, sendo destinados ao consumo comunitário. Os peixes menores retornaram aos tanques para continuidade do crescimento.
Para Paulo Porto, gestor do Programa de Sustentabilidade Indígena da Itaipu Binacional, a ação reforça a soberania alimentar das comunidades Avá Guarani. “O projeto entrega alimento produzido pela própria comunidade e materializa o compromisso histórico da Itaipu com o fortalecimento do povo Avá Guarani no Oeste do Paraná”, destacou.
Os tanques produtivos abrigam, no mínimo, mil peixes por unidade, com ciclo de cultivo que varia de quatro a doze meses, conforme a espécie. Entre as espécies criadas estão jundiá, lambari, tilápia e carpa-capim, definidas em diálogo com a própria comunidade.
Atualmente, o projeto Opaná: Chão Indígena envolve mais de 970 famílias Guarani (Avá e Mbya) no Oeste e no Litoral do Paraná, unindo sustentabilidade alimentar, valorização cultural e ações de educação antirracista junto à população não indígena.
Assessoria de Comunicação FLD
