Amenorte movimenta R$ 4,5 bilhões com produção rural

A força da avicultura industrial de corte e o avanço territorial da cana-de-açúcar ditaram o ritmo econômico do agronegócio no Médio Noroeste paranaense. De acordo com o relatório preliminar do Valor Bruto da Produção (VBP) divulgado pelo Deral/Seab, os onze municípios integrantes do Núcleo Regional de Cianorte acumularam um faturamento global de R$ 4,52 bilhões na safra analisada. No cenário das cidades do interior do núcleo, Rondon desponta como a principal força agropecuária ao registrar R$ 472,08 milhões em receitas diretas do campo, sustentado por um expressivo volume de abates avícolas e diversificação na pecuária.

A avicultura de corte consolidou-se como o principal motor financeiro de Rondon, gerando sozinha um VBP de R$ 179,84 milhões a partir do manejo e abate de mais de 10,9 milhões de aves. A matriz produtiva do município exibe ainda alta densidade na cultura da cana-de-açúcar, que ocupa 13.861 hectares e injeta R$ 114,51 milhões na economia local, além de uma cadeia de pecuária de corte estruturada que supera R$ 45 milhões na somatória das fases de cria, recria e engorda de bovinos.

Cianorte lidera o ranking regional do Valor Bruto da Produção (VBP). O município registrou um faturamento expressivo de R$ 1,33 bilhão no setor agropecuário. O montante confere à cidade a maior participação fracionária no índice econômico do campo entre todas as localidades avaliadas na região, atingindo o coeficiente de 0,006279.

Logo atrás de Cianorte, o segundo posto geral em faturamento do núcleo pertence a Tuneiras do Oeste, com R$ 576,98 milhões. A pauta econômica da localidade é destacada pelo frango de corte (R$ 144,4 milhões), mas guarda forte equilíbrio com a produção de grãos, com a soja de primeira safra atingindo R$ 107,8 milhões, e com o setor sucroenergético, que gerou R$ 85,6 milhões em cana-de-açúcar.

No cinturão produtivo intermediário, Tapejara (R$ 465,40 milhões) e São Manoel do Paraná (R$ 426,76 milhões) são destaques na lavoura canavieira. Tapejara detém a maior especialização regional da cultura, com faturamento de R$ 119,6 milhões, seguido pelo mercado de frangos (R$ 87 milhões) e de ovos férteis (R$ 52,8 milhões). Em São Manoel do Paraná, a cana lidera com R$ 39,79 milhões obtidos em 3.325 hectares plantados.

Jussara (R$ 312,92 milhões), Cidade Gaúcha (R$ 292,22 milhões) e São Tomé (R$ 289,23 milhões) mantêm receitas estáveis. Jussara apoia-se na avicultura (R$ 122,28 milhões) e em uma forte rotação de grãos entre a safra de soja e a safrinha de milho. Já São Tomé apresenta o perfil mais pulverizado da região, com receitas distribuídas entre a carne de ave (R$ 112,7 milhões), cana (R$ 78,2 milhões), soja (R$ 20,5 milhões) e investimentos em fruticultura e piscicultura.

Na base do ranking, Indianópolis (R$ 274,77 milhões), Japurá (R$ 267,90 milhões) e Guaporema (R$ 252,83 milhões) mostram vocação para culturas industriais e de nicho. Indianópolis atinge R$ 176,56 milhões na avicultura e se destaca na mandioca industrial com R$ 10,26 milhões. Guaporema repete o bom desempenho da mandioca com R$ 12,44 milhões colhidos em 850 hectares. Japurá, por sua vez, complementa sua base avícola (R$ 110,86 milhões) com um polo especializado em fruticultura, onde o cultivo de acerola gerou R$ 6,38 milhões com a colheita de 2,1 mil toneladas da fruta.

Terra Boa

Embora geograficamente integrado à região do Médio Noroeste, o município de Terra Boa responde administrativamente a outro núcleo regional do Deral, não compondo o montante financeiro oficial de Cianorte. A economia rural de Terra Boa registrou um desempenho robusto, alcançando um VBP isolado de R$ 607,82 milhões, índice que assegura ao município uma participação fracionária de 0,002859 no desempenho da agropecuária do Estado.