Davanço tem liberdade concedida após oito dias de prisão
A defesa do vereador Victor Hugo Davanço confirmou que o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) concedeu liberdade ao investigado após oito dias de prisão preventiva. A decisão foi proferida pelo desembargador Kennedy Josue Greca de Mattos, no âmbito de um pedido de habeas corpus.
Com a liminar parcial, Davanço deixará a prisão, mas passa a responder ao processo em liberdade, sob condições impostas pela Justiça.
Na decisão, o desembargador afirmou que a prisão preventiva deve ser adotada apenas em situações excepcionais. Segundo o magistrado, não há elementos suficientes que justifiquem a manutenção da medida.
O entendimento considera que o investigado é réu primário e não há indícios de crime com violência ou grave ameaça. Também foi avaliado que não existe risco concreto de fuga ou de prejuízo às investigações.
A defesa informou que Davanço possui ocupação lícita, residência fixa e boa conduta social. Os advogados destacaram ainda que ele é casado e tem esposa grávida, que depende de seu sustento.
Outro ponto apresentado foi que os crimes investigados não envolvem violência, o que permitiria a adoção de medidas alternativas à prisão.
Medidas cautelares
Para permanecer em liberdade, Victor Hugo Davanço deverá cumprir as seguintes determinações: uso de tornozeleira eletrônica; proibição de contato com outros investigados e comparecimento obrigatório a todos os atos do processo.
O descumprimento das medidas pode resultar em nova prisão preventiva.
Operação Big Fish
A prisão ocorreu no dia 8 de abril, durante a Operação Big Fish, conduzida pela Polícia Civil do Paraná em conjunto com o Ministério Público. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais.
A operação mobilizou mais de 330 policiais e foi realizada em 25 cidades de cinco Estados. Em Cianorte, cerca de 30 pessoas foram presas, entre elas o então presidente da Câmara.
Segundo as investigações, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 2,1 bilhões. Foram cumpridas 371 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, busca e bloqueio de bens.
A polícia aponta que Davanço atuava na estrutura do grupo, com participação nas áreas financeira e administrativa. O celular do vereador foi apreendido para perícia.
Além das prisões, houve bloqueio de mais de R$ 43 milhões em bens, incluindo veículos, imóveis e dinheiro. Também foram retirados do ar 21 sites de apostas ilegais.
Repercussão na Câmara
No dia 9 de abril, a Câmara Municipal de Cianorte recebeu um pedido de cassação contra Davanço. Com a prisão, o vice-presidente Afonso Lima assumiu a condução dos trabalhos legislativos.
De acordo com a defesa, não há impedimento para o retorno do investigado ao cargo. A presença de agentes públicos entre os investigados é apontada pela polícia como indicativo de possível infiltração do grupo em estruturas públicas. O caso segue sob investigação.

