Economia

Setor de vestuário de Cianorte cresce 8% este ano

São cerca de 300 empresas de vestuário na região de Cianorte, que empregam cerca de 18 mil pessoas e produzem 2 milhões de peças por mês
Considerada Capital do Vestuário, Cianorte produz dois milhões de peças de roupas por mês (Foto: Arquivo Tribuna)

Depois de ver a produção despencar a partir de 2015 por causa da crise econômica e cortar postos de trabalho, o setor paranaense do vestuário começa a dar sinal de retomada. Foi o segundo que mais gerou empregos no Estado, atrás apenas da indústria de bebidas e alimentos, nos primeiros quatro meses do ano.

O saldo entre admitidos (12.122) e demitidos (9.930) no primeiro quadrimestre foi de 2.192 vagas, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

“Este já é o melhor resultado para o 1º quadrimestre dos últimos três anos”, diz Suelen Glinski dos Santos, economista do Observatório do Trabalho da Secretaria Estadual de Justiça, Trabalho e Direitos Humanos. No mesmo período de 2016 o saldo era negativo em 6.585 postos e em 2015 em 1.452 postos.

Apucarana, com saldo de 334 vagas, Cianorte (193) e Maringá (137) foram as cidades que mais geraram empregos no setor no primeiro quadrimestre.

CIANORTE

Um dos maiores polos do vestuário do Paraná, a região de Cianorte ampliou em 8% a produção nesse ano. “É a primeira reação do setor desde 2015. Há um otimismo maior por parte das empresas, porque o consumidor voltou a comprar, com a queda dos juros e da inflação”, diz Wilson Becker, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Cianorte (Sinveste).

Atualmente são cerca de 300 empresas de vestuário na região de Cianorte, que empregam cerca de 18 mil pessoas e produzem 2 milhões de peças por mês. Além do aumento da demanda, a concorrência com os importados diminuiu com o dólar mais alto e a tendência do varejo de trabalhar com estoques menores.

“Os importados levam até 90 dias para chegar. É uma logística complicada em tempo de crise, quando as empresas têm que ajustar os estoques em relação à imprevisibilidade da demanda rapidamente. Nas fábricas nacionais, uma peça leva em média 48 horas para ficar pronta, o que é uma vantagem”, afirma.

MERCADO INTERNO

Ao contrário de outros polos de produção no País, o setor de vestuário do Paraná depende principalmente do consumo interno e, por isso, foi mais afetado na crise. Nos últimos meses, porém, o mercado interno ganhou um impulso adicional com o dinheiro movimentado na economia a partir saques das contas inativas do FGTS.

“A maior parte da população vem usando esse recurso para pagar dívidas e fazer algumas compras de menor valor, que não comprometam o orçamento por muitos meses. É aí que o vestuário se encaixa” diz Julio Suzuki Júnior, diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).

MAIS OTIMISMO

Considerada a capital nacional da moda bebê, a cidade de Terra Roxa também vive um momento de mais otimismo. Um terço da economia do município depende da indústria do vestuário. Depois de uma redução de 40% na produção desde 2015, as fábricas do município já recuperaram 30%, de acordo com a secretária executiva do Arranjo Produtivo Local (APL), Adriana Pegoraro.

A expectativa é de um aumento de 15% a 20% nas vendas em 2017 em relação ao ano passado. As cerca de 30 empresas de vestuário da cidade produzem 500 mil peças de moda bebê por mês. “As pessoas estavam com medo de gastar, mas agora aos poucos estão voltando a consumir”, diz Adriana.

Para dar um impulso extra ao consumidor, as indústrias de Terra Roxa passaram a promover um feirão de venda de fábrica todo segundo sábado do mês. Além disso, resolveram reforçar a feira de moda bebê, que neste ano deve contar com duas edições – uma no inverno e outra no verão. O evento de inverno ocorre nos dias 9 e 10 de junho, deve reunir cerca de 5 mil pessoas.

OCIOSIDADE

Em Maringá, os empresários começaram o ano contratando pessoal, na expectativa de um ano melhor para o setor, de acordo com Carlos Ferraz, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sindvest) de Maringá. A retomada dos investimentos, no entanto, deve demorar. As indústrias da região, de acordo com Ferraz, ainda trabalham com um percentual de ociosidade de 25%. São 1,3 mil empresas na região em 72 cidades e que geram 18 mil empregos. “Apesar das contratações, o clima ainda é conservador. Trabalhamos com a perspectiva de empatar com os números de 2016”, diz.

Paraná é o terceiro com maior saldo no setor vestuário no país

O Paraná foi o terceiro Estado com maior saldo de empregos formais no setor do vestuário do País no primeiro quadrimestre. Levantamento do Observatório do Trabalho, ligado à Secretaria da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos, o Estado, com saldo de 2.192 vagas, ficou atrás apenas de Santa Catarina (8.014) e São Paulo (3.825). O Paraná foi responsável por 12% do saldo do País no período.

Em todo o Estado, foram as empresas que possuem entre 20 e 49 funcionários as que mais contrataram no período, com 2.550 admitidos, seguidos dos estabelecimentos que possuem de 50 a 99 funcionários (2.476 admitidos). No entanto, os estabelecimentos que vêm mantendo um saldo de empregos formais positivos, ou seja, que estão contratando mais e demitindo menos, são os pequenos, que possuem até quatro funcionários, com saldo de 795 postos no quadrimestre.