Educação

Reitores da UEL e UEM ganham mais que ministros do STF

Os salários estão acima do teto do setor público e passam de R$ 34 mil por mês
O salário da reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Quinzani Jordão, é R$ 35.205,07, enquanto Mauro Baesso, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) tem remuneração de R$ 34.622,97. (Foto: UEM/ Divulgação)

Dois dirigentes de instituições públicas de ensino superior do Paraná ganham mais do que os R$ 33,7 mil de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o teto salarial do setor público. O salário da reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Quinzani Jordão, é R$ 35.205,07, enquanto Mauro Baesso, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) tem remuneração de R$ 34.622,97.

Os supersalários estão disponíveis no portal da Transparência do Paraná e contabilizam gratificações e abonos. Apesar de dar publicidade à remuneração de seus gestores, as duas universidades se recusam a aderir ao sistema do governo que faz a análise dos dos itens que compõem os vencimentos de todos servidores públicos, para verificar se estão de acordo com a lei.

Além de serem maiores do que o limite constitucional, os salários de Berenice e Baesso também são superiores aos dos prefeitos dos municípios onde as instituições estão localizadas.

A remuneração de Berenice, por exemplo, é 55% maior do que a do prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), que recebe R$ 15.970. Até o prefeito do campus da UEL, Dari de Oliveira Toginho Filho, que ocupa a função desde 2004, recebe remuneração (R$ 27.468,97) superior ao do gestor municipal .

Em Maringá, a história se repete. O reitor, Mauro Baesso, tem salário 35% superior ao do prefeito da cidade, Ulisses Maia (PDT), que recebe R$ 22.696,79 todos os meses.

Na Unioeste, em Cascavel, o reitor Paulo Sérgio Wolff, e o diretor da instituição, Alexandre Webber, também têm remuneração superior a do prefeito Leonaldo Paranhos. Ambos recebem R$ 25 mil, ante R$ 24.104 do administrador público.

AUMENTO

Desde 2010, a folha de pagamento das sete universidades estaduais do Paraná apresentou um crescimento de 144,2%, para uma inflação acumulada de 50,37%, segundo o IPCA. Por outro lado, o orçamento nominal dessas instituições, com recursos repassados pelo Tesouro Estadual, foi de R$ 871 milhões em 2010 para R$ 2,014 bilhões em 2016 (aumento de 131%).

Considerando outras receitas das universidades, o orçamento total passou de R$ 1,194 bilhão para R$ 2,620 bilhões no mesmo período.