Saúde

Cianorte tem três doadores de medula óssea em seis meses

 Nos últimos 17 anos, mais de 4 mil pessoas se cadastraram no banco de medula óssea na cidade
Guilherme fez os procedimento de doação no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (Foto: Arquivo pessoal)

Mais de quatro milhões de brasileiros estão cadastrados como doadores de medula óssea no Redome - Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. O banco é o terceiro maior do mundo e pertence ao Ministério da Saúde. A região sul é a segunda com maior número de cadastros do país, sendo quase 50% do Paraná. Em Cianorte, há 18.950 pessoas cadastradas.

Atualmente, 850 pacientes procuram por um doador compatível no Redome. A probabilidade é de um para cada 100 mil pessoas. O transplante de medula óssea geralmente é necessário para pacientes com leucemia, anemias graves, linfomas, imunodeficiências e doenças relacionadas aos sistemas sanguíneo e imunológico. Quando uma pessoa precisa de transplante, a primeira opção é buscar um doador compatível na família, o que ocorre em penas um quarto dos casos.

Este ano, três cadastrados de Cianorte foram contatados por serem compatíveis com pacientes que precisavam do transplante e doaram medula óssea. Um deles foi Ligia Adriana Cavalcante, comerciante de 31 anos, que se cadastrou no banco de medula óssea há mais de 10 anos e recebeu uma ligação no final do ano passado informando que ela poderia ser compatível com um paciente.

Ligia foi para Curitiba fazer exames para confirmar a compatibilidade e fez a doação de medula no começo deste mês. Segundo ela, a experiência foi única e gratificante. “Na primeira ligação, foi uma mistura muito grande de sentimentos. E eu topei tudo sem pensar muito, foi uma emoção muito grande, fiquei muito feliz e me senti privilegiada, porque é muito difícil achar um doador compatível. Você pensa que o cadastro é internacional e você é a única pessoa compatível com aquele ser humano, então a vida da pessoa fica nas suas mãos praticamente”, afirmou.

O gerente comercial Guilherme Navarro, de 29 anos, se cadastrou no banco de medula há cinco anos, quando participou de um trote de solidário na faculdade, em Paranavaí. Depois dos exames iniciais na Unidade de Coleta de Cianorte ele foi a Brasília para uma consulta prévia e depois para o procedimento de doação. “Eu fiquei ligado na máquina num período de sete horas e meia para fazer a coleta, mas não dói nada, não passei mal, foi muito tranquilo e após a coleta recebi todos os exames de sangue que foram feitos e também ganhei um certificado de doador de medula óssea”, explica Guilherme.

PROCEDIMENTOS

Há dois métodos de doação de medula óssea: a coleta por aférese e o procedimento cirúrgico. Os entrevistados pela reportagem foram submetidos ao primeiro. Nesses casos, o doador faz uso de uma medicação intravenosa por cinco dias, com o objetivo de aumentar o número de células-tronco circulantes no sangue. A doação é feita por meio de uma máquina de aférese, que colhe o sangue da veia do doador, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente. Não há necessidade de internação nem de anestesia.

O procedimento cirúrgico é feito com anestesia peridural ou geral e requer internação de 24 horas. Nesses casos, a medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções. O procedimento leva em torno de 90 minutos. Em ambos os casos, a medula óssea do doador se recompõe em 15 dias. A decisão sobre o método de doação mais adequado é avaliada caso a caso pelos médicos assistentes do doador e do receptor.

COMO DOAR

Para ser doador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 55 anos e realizar o cadastro no Redome por meio das Unidades de Coleta e Transfusão (UCT). Uma amostra de sangue de 10 ml é coletada para tipagem genética e um termo de consentimento precisa ser assinado. É importante manter o cadastro sempre atualizado. Se a compatibilidade for confirmada, o Redome entrará em contato com o doador cadastrado explicando os procedimentos. Os custos de viagens, hospedagem e alimentação são bancados pelo órgão, que permite que o doador leve um acompanhante.