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Seg, 08 de Fevereiro de 2010 08:55

A família Carli acompanhou à distância, nesta semana, as primeiras audiências relacionadas ao acidente causado há nove meses pelo ex-deputado Luiz Fernando Carli Filho, por embriaguez e alta velocidade, com a morte dois jovens curitibanos. Mais precisamente em Guarapuava, a 300 quilômetros da Capital, onde o pai dele, também Luiz Fernando, é prefeito.

A presença de qualquer membro familiar poderia desencadear protestos veementes e até atrapalhar o trabalho da Justiça. E somente se o juiz determinar, o próprio ex-deputado deverá ser ouvido nesta fase do processo que analisa se ele deve ou não ir a júri popular.

O tio de Luiz Fernando, deputado estadual Plauto Miró Guimarães, resumiu na quinta-feira à tarde o que de resto deve ser o pensamento de toda a família sobre o desenrolar deste julgamento: na condição de deputado, jovem, bonito e rico, Luiz Fernando se coloca como um alerta de graves responsabilidades para milhares de jovens brasileiros de classe média, que ganham o primeiro carro e saem nas noites para as baladas. É raciocínio lúcido. É óbvio que, sem punição rigorosa da justiça, será um (mais um) testemunho da impunidade que grassa pelo país. E o fato de ser deputado é mais um elemento importante neste cenário. “Já ouvi amigos próximos que, ao aconselhar seus filhos, relembram o caso do Luiz Fernando”, diz Plauto.

De toda a situação privilegiada que desfrutava, Luiz Fernando perdeu o mandato, a beleza (quem o viu recentemente afirma que o estrago no rosto foi definitivo) e o próprio futuro na política, herdeiro que era da carreira paterna. Para ele e a família, um golpe duro. Mas, para a sociedade, ainda falta o julgamento. A mãe de Gilmar, um dos dois jovens mortos no acidente, Cristiane Yared, continua absolutamente firme na cruzada que decidiu empreender para não deixar o crime impune. Já conseguiu quase tudo, do apoio da opinião pública à cassação do mandato. Não vai sossegar até a sentença final.

A firmeza de Christiane tem sua razão de ser: há menos de 2 meses um outro acidente, praticamente igual ao do de ex-deputado e com o agravante de ter matado 4 pessoas ao invés de duas, foi totalmente esquecido. O motorista responsável é filho do diretor da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel.

 

Curitiba, mais de 30 graus

A semana que passou foi a mais quente que uma geração de curitibanos já enfrentou na vida. Calor em que cachorro pendura língua, fácil fácil. Para quem está acostumado aos 25 graus no auge da temporada de verão, passar dos 30 é descer ao inferno. E aí se descobre, por exemplo, que a maioria dos táxis da Capital do Paraná simplesmente não tem ar condicionado. Ou que temperatura amena vira motivo para aumentar as vendas no comércio. Várias lojas, e algumas até afastadas do centro da cidade, ostentavam placas improvisadas nas portas informando que “aqui tem ar condicionado”, como um convite a entrar.

E não teve mãe, avó ou babá desta cidade que lá pelas três horas da tarde não colocou o bebê numa banheira ou bacia para refrescá-lo. Vocação pra se tornar uma Cuiabá, Curitiba não tem, não. Mas, diante do inevitável, também dá lá suas cacetadas no calor.